domingo, 6 de novembro de 2016

1470- MATARAM O XADREZ DO RJ



    Depois de um longo tempo afastado deste blog e do xadrez em geral, resolvi escrever este artigo, até para os que não moram no Estado do RJ tenham condições de entender o que está acontecendo.

   O fato é que o Presidente da FEXERJ, Sr. Élcio Mourão, sumiu do exercício da presidência há muitos meses, sem apresentar qualquer justificativa pública. O ápice desta desconsideração e negligência foi a sua ausência do tradicional Campeonato Estadual Interclubes 2016 (fato inédito na história do xadrez fluminense)

  A gênese deste processo se iniciou com a desistência surpreendente do ex Presidente da Fexerj, Alberto Mascarenhas, de continuar sua boa gestão. Então, em vez de novas convocações para eleições, a CBX impôs a eleição do seu subordinado (reafirmo minha convicção da ilegalidade do processo já que o citado subordinado era membro da Comissão Eleitoral vigente à época). Recomendo fortemente a leitura da postagem 1456-Eleições 2015 na Fexerj: a questão é mais ampla.

    Eu e alguns poucos alertamos na época para o risco de tal submissão. Além da questão jurídica, havia a questão mais fundamental da soberania dos jogadores e clubes (em tese representantes dos jogadores) de escolherem quem deveria gerenciar o quintal da própria casa. Lembro que fui a uma reunião do clube onde eu jogava à época para alertar dos riscos a que todos corríamos.

   Fui voto vencido no meu clube. Os clubes emplacaram o subordinado que, a partir de então, foi exercer o seu dever referendado em assembleia com a motivação de um homem que vai pra forca (ou apresentaram a fatura pelo título internacional de árbitro, viagens e otras cositas más).

    O fato é que seria injusto atribuir tal derrocada do xadrez do Rio somente à compulsão patogênica de poder do Presidente da CBX. Há uma estrutura construída por trás disso. Uma estrutura corrompida onde se insere clubes, dirigentes e jogadores. Uma inércia calcada na venalidade: interesses (reais ou fantasísticos) vários dos agentes envolvidos: titulações de jogadores ou árbitros; participações efetivas ou prometidas em comissões da FIDE; fidelidade pela não interferência da CBX nos conhecidos esquemas de produção artificial de rating FIDE e jogadores fantasmas; e até mesmo o simples temor bajulatório a quem tem tanta influência perante à FIDE.

  Estamos pagando um preço alto por sermos cabresto deste coronelismo enxadrístico: xadrez de base inexistente, oportunidades de torneios fortes escassos, onde a conjugação do binômio estudo-prática em alto nível para os enxadristas do RJ fica comprometida. E o que é mais importante: ficamos impedidos de oportunizar, por meio de eleições, a chance de quem queira concorrer com um projeto de gestão para a Fexerj. Não temos direito a nossas escolhas.

    Chegamos no fundo do poço. Vejo agora o Chess-Results do Estadual Absoluto do RJ: apenas doze jogadores, onde pelo menos oito deles têm fidelização com o CXG, clube de um dos tentáculos de poder do Presidente da CBX. Se não fosse a excelente atividade interna de clubes como a ALEX, o xadrez do RJ estaria definitivamente morto. Mas nem isso merece declarações narcísicas: não é de se orgulhar disso num ambiente de terra arrasada.

    Não entendo a falta de crítica e subordinação incondicional ao poder da Confederação. Uma entidade obscura, com uma completa ausência de transparência financeira. O que mais vejo no Facebook são jovens talentos, detentores de títulos nacionais, pedirem doações para custearem uma competição internacional. Onde está a transparência financeira da entidade que justifique que não pode custear para A ou B? Além do mais, é uma entidade autoritária que só permite comentários elogiosos de incautos na sua página do Facebook (experimentem comentar uma crítica lá). E na página oficial da Confederação dá a percepção de que no planeta CBX o xadrez no Brasil está lindo e maravilhoso ( e de novo: desafio a acharem na citada página qualquer link para relatórios financeiros ou contábeis. E a arrecadação não é pequena). A "carteira de eventos Aberto do Brasil" na verdade é o aproveitamento do esforço operacional de dirigentes locais. Só se empresta o carimbo, a chancela CBX.

    Uma comparação com quem não se presta a tal vinculação, embora haja (e tem que haver) um diálogo com a Confederação, se dá com os organizadores dos Torneios da Festa da Uva e do Floripa Open. Simplesmente alguns dos melhores enxadristas do mundo (inclusive o atual campeão mundial) passaram por lá nos últimos anos, sem que a CBX noticiasse uma linha desses eventos em sua página oficial. Que amor narcísico pelo xadrez!

     Por falar em Floripa Open, vejam aqui os inscritos para a edição de 2017. Doze GM já inscritos (o doze persegue esta postagem!)!! Belíssimo trabalho daquela dupla de Floripa que não são carimbados!

    E ainda sobre GM, os nacionais, ainda vejo como muito pálidas as suas observações e críticas sobre a gestão nacional do xadrez. Os pronunciamentos deles seriam bem importantes.

    Finalizando e voltando para o xadrez do RJ, desejo que os dirigentes locais apresentem a curto prazo a decência necessária para sair dessa inércia, convocar AGE, destituir Presidente e Vice e convocar novas eleições num processo transparente, com regras definidas e sem a ingerência da CBX, proporcionando tempo hábil para aqueles que queiram apresentar propostas para a gestão oficial do xadrez do Rio.

     E os jogadores têm papel fundamental no processo: conversem com os dirigentes do seu clube que representam a sua vontade no atual modelo. Pressionem, insistam pela instauração da AGE.
    
    Vamos acompanhar os próximos capítulos.
    


Um comentário:

Ed disse...

Uma vergonhosa coroação da incapacidade de gestão da atual diretoria da FEXERJ. É lamentável. Precisamos urgentemente de renovação.