Idéias não faltam para se fazer um Interclubes ao longo do ano, por meio de seletivas, com os clubes se visitando e culminando com uma finalíssima na capital ou interior com os vencedores das seletivas. Isto traria um maior contato entre os clubes e reduziria as contratações, obrigando a jogar com a "produção" do próprio clube. Mas tudo só daria resultados com o fomento e incentivo da federação às competições entre os clubes do Rio, o que hoje é uma utopia. Ao contrário e de forma pensada, desqualificam, ano após ano, a única reunião esportiva entre os clubes do RJ. O quadro é claro. O calendário é um mosaico estratégico de consolidações políticas de forma regional. A capital do Estado enfrenta uma situação caótica, jamais vista, de ausência de torneios.
A discussão está aberta a meus diletos leitores.
Aviso: modero as mensagens. Tergiversações e enrolações que levam a lugar nenhum não serão publicadas.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
63- INTERCLUBES, QUE FAZEM COM VC??
Li no site da Fexerj e fiquei perplexo: o outrora glorioso Interclubes foi "empurrado" para 6 e 7 de dezembro, um único final de semana. "Empurrado" pelos Jogos Abertos de SP, o que é mais triste.
Ano após ano temos visto uma crescente má vontade da Federação com o Interclubes. O único campeonato de clubes em nosso amado xadrez do Estado do RJ virou um fardo para nossa entidade oficial.Parece que é apenas uma obrigação pró-forma manter a competição no calendário. O Interclubes está servindo apenas para desfile de jogadores contratados, com equipes "fortíssimas" e dirigentes vaidosos e orgulhosos de tais contratações. Todos bobos, ouro de tolos. Só quem ganha são os contratados, o xadrez do RJ perde. Querer contratar, parecer profissional num clima e estrutura amadora é vaidade pura, é ter visão míope. Devem pensar: "nossa, que relação custo-benefício pequena fazer este evento. Arrumar espaço grande para aquela gente toda, reunir aqueles chatos, que dureza!"
Mas é proposital mesmo. Para que investir numa competição que fomente e incentive os clubes ao longo do ano, que os motive, para que?
O fato é que não devemos deixar morrer nosso Interclubes. Ainda mais numa época que os clubes lutam contra a modernidade (internet,etc). Não podemos deixar que seja jogado em apenas um fim de semana. Pelo contrário, devemos começar uma discussão para oxigenar o Interclubes, ampliá-lo.
E agora virou mania ficar refém de calendário dos Jogos Regionais e Abertos de SP. É o xadrez fraco se submetendo ao mais forte. Parabéns!
Ano após ano temos visto uma crescente má vontade da Federação com o Interclubes. O único campeonato de clubes em nosso amado xadrez do Estado do RJ virou um fardo para nossa entidade oficial.Parece que é apenas uma obrigação pró-forma manter a competição no calendário. O Interclubes está servindo apenas para desfile de jogadores contratados, com equipes "fortíssimas" e dirigentes vaidosos e orgulhosos de tais contratações. Todos bobos, ouro de tolos. Só quem ganha são os contratados, o xadrez do RJ perde. Querer contratar, parecer profissional num clima e estrutura amadora é vaidade pura, é ter visão míope. Devem pensar: "nossa, que relação custo-benefício pequena fazer este evento. Arrumar espaço grande para aquela gente toda, reunir aqueles chatos, que dureza!"
Mas é proposital mesmo. Para que investir numa competição que fomente e incentive os clubes ao longo do ano, que os motive, para que?
O fato é que não devemos deixar morrer nosso Interclubes. Ainda mais numa época que os clubes lutam contra a modernidade (internet,etc). Não podemos deixar que seja jogado em apenas um fim de semana. Pelo contrário, devemos começar uma discussão para oxigenar o Interclubes, ampliá-lo.
E agora virou mania ficar refém de calendário dos Jogos Regionais e Abertos de SP. É o xadrez fraco se submetendo ao mais forte. Parabéns!
segunda-feira, 28 de julho de 2008
62- Caçando a vagabunda!

O título algo vulgar é uma dica para meus diletos leitores resolverem a magnífica composição acima, de L. Kubbel, 1935. Brancas jogam e ganham.
Com isto, este blog volta para o mundo mágico das composições que, como ratificou o GM Leitão (entrevista, post 56), são ótimas para exercitar o cálculo.
O Leitor que resolver SEM AJUDA DO FRITZ OU SIMILAR ganha um choppinho na Av. Atlântica.....
Divertida semana a todos!!
domingo, 27 de julho de 2008
61- Questões de Arbitragem IV (só art. 10.2)
Art. 10.2 - Reivindicação de empate em partida de Quickplay-finish - Quais são as alternativas do árbitro?
Pergunta 18: Como o árbitro deve agir quando o jogador, faltando menos de dois minutos para terminar a partida de quickplay, reivindica empate?
Resposta: O art. 10.2, sem dúvida, é um dos pontos mais polêmicos da Lei do Xadrez.
Após uma reivindicação de empate, o árbitro conta com três alternativas:
a) aceitar a reivindicação de empate com fulcro no disposto na alínea do art. 10.2 “a”.
b) adiar a decisão (10.2."b") e a partida continua; fica a critério do árbitro conceder, ou não, 2 minutos para o adversário. Após a queda de seta, o árbitro define qual o resultado da partida, podendo inclusive decretar o empate, ou seja, concordando com a reivindicação; sua decisão de empate também é definitiva.
c) rejeitar a reivindicação de empate; neste caso, o árbitro deve adicionar 2 minutos ao relógio do adversário. (10.2."c")
OBS: A decisão do árbitro será definitiva, não cabendo recurso (10.2 "d").
Art. 10.2 Reivindicação de empate - Quais critérios o árbitro deve considerar?
Pergunta 19: Para o árbitro decidir sobre a reivindicação de empate com base no art. 10.2, ele deve levar em consideração o que? a) somente a posição; b) somente a conduta dos jogadores, vendo se há esforço para o ganho; c) ou ambos?
Resposta: O árbitro, ao analisar uma reivindicação com base no art. 10.2, deve evitar o julgamento subjetivo: quem está ganho, quem está superior etc...
Para decidir, o árbitro deve se ater a aspectos de ordem objetiva, ou seja, verificar se o adversário está querendo apenas explorar a sua vantagem de tempo e não está se esforçando para ganhar por meios normais, (forçar o xeque mate, por exemplo). Ou, se o adversário não pode, em hipótese alguma, ganhar por meios normais, ou não está fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais.
Nota: A exemplo da Lei do futebol que não obriga que o árbitro tenha sido um renomado jogador, a Lei do Xadrez também não exige que o árbitro conheça xadrez tanto quanto um Grande Mestre, ou mesmo que seja um jogador. Logo, não cabe ao árbitro analisar posições.
10. 2 – Reivindicação de empate - Intervenção do árbitro
Pergunta 20: No caso de reivindicação de empate a que se refere o artigo 10. 2, por melhor que esteja o jogador, na posição ou material, se a sua seta cair a partida está, a princípio, perdida pelo tempo? Caso contrário o relógio não cumpriria o seu objetivo? (a não ser que a posição esteja clara e evidentemente empatada. Ex: RxR, RBxR, RCxR,etc)
Resposta: Ao analisar reivindicações de empate feitas com base no art. 10.2 da Lei do Xadrez, o árbitro não deve se preocupar com aspectos de ordem subjetiva: a) quem está ganho? b) quem está perdido? c) quem está superior?
O árbitro deve se preocupar com aspectos de ordem objetiva: por exemplo, perguntar a si próprio:
- O adversário está querendo apenas explorar a sua vantagem de tempo? ou,
- O adversário não está se esforçando para ganhar por meios normais (forçando o xeque mate)? ou,
- O adversário não pode, em hipótese alguma, ganhar por meios normais?
Se o árbitro estiver absolutamente convencido de que o adversário não está fazendo esforço para ganhar por meios normais, mas apenas explorando a vantagem no tempo, ou que o adversário não pode ganhar em qualquer hipótese, aí sim deve intervir e decretar o empate.
Mas, se o árbitro não estiver absolutamente convencido disso, deve deixar a partida continuar.
É importante lembrar que, se o árbitro determinou que a partida continuasse (adiou a sua decisão), ele só DEVE DETERMINAR O EMPATE se estiver absolutamente convencido de que o adversário, durante aquele período, jogou somente para explorar a vantagem de tempo.
Caso contrário, ao cair a seta, o árbitro deve verificar se o adversário tem material para dar mate.
Se o adversário não tiver material para dar mate, o árbitro DEVE DECRETAR O EMPATE.
Por outro lado, se o adversário tiver material para dar mate e, não explorou a sua vantagem de tempo, logicamente deverá ter a sua vitória confirmada pelo árbitro, independentemente de quem esteja superior na posição final.
Art. 10.2 - Reivindicação de empate - caso polêmico
Pergunta 21: Dois jogadores titulados estão na fase final de uma partida de xadrez pensado. Faltando menos de 2 minutos no seu relógio, as pretas reivindicam empate valendo-se do art. 10.2, tendo o árbitro adiado sua decisão.
Situação: brancas com rei, dama, bispo e peão (dispunha de algo em torno de 5 minutos de tempo); pretas com rei, dama e peão. A seta do jogador das brancas cai (fato sinalizado pelo árbitro). O árbitro declara então o empate, com base no disposto na alínea b do art. 10.2. Foi correta a decisão do árbitro?
Resposta: De acordo com o disposto no art. 10.2 da Lei do Xadrez o árbitro, ao examinar uma reivindicação de empate, poderá decretar o empate, adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação.
No caso em questão o árbitro determinou que a partida continuasse, adiando sua decisão.
Após a queda de seta do jogador das brancas, o árbitro deve decretar o resultado com base no bom senso e é claro que o comportamento dos dois jogadores nos instantes em que ele pode observar a partida.
Conclusão: Se o árbitro estiver convencido de que, nenhum dos dois, fez suficientes tentativas, para vencer por meios normais, ou concordar que a posição final não pode ser ganha por meios normais, deverá decretar o empate. Se foi realmente isso o que aconteceu, a decisão parece ter sido correta.
"Art. 10.2 - Se o jogador, com a vez de jogar, tiver menos de dois minutos em seu relógio, pode reivindicar empate antes da queda de sua seta. Deverá parar os relógios e chamar o árbitro.
a) Se o árbitro estiver convencido de que o oponente não está fazendo esforço para ganhar a partida, por meios normais, ou que não é possível o oponente vencer por meios normais, então deverá declarar a partida empatada. Se não estiver convencido, deverá adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação.
b) Se o árbitro adia sua decisão, o oponente pode receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão e a partida deverá continuar na presença do árbitro, se possível. O árbitro poderá declarar o empate mesmo depois de a seta ter caído. Ele deverá decretar a partida empatada.
c) Se o árbitro rejeitar a reclamação, o oponente deverá receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão
d) A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas "a, b, c". "
Art. 10.2 - Reivindicação de empate - outro caso polêmico
Pergunta 22: Num torneio no ritmo de 61 minutos, em uma partida válida pela 4ª rodada, o jogador das pretas estava muito apurado no tempo e reivindicou empate com base no art. 10.2. O árbitro não atendeu porque o adversário, embora inferiorizado, tinha material para mate. A partida prosseguiu e em seguida caiu a seta das pretas. A questão gerou polêmica porque na posição final (final de torres e peões) as pretas estavam praticamente ganhas. O árbitro tomou a decisão certa ao dar a vitória às brancas?
Resposta: O árbitro, ao analisar uma reivindicação com base no art. 10.2, deve evitar o julgamento subjetivo, por exemplo, quem está GANHO, quem está SUPERIOR etc...
Para decidir o árbitro deve se ater a aspectos de ordem objetiva; por exemplo, se o adversário não pode, em hipótese alguma, ganhar por meios normais.
O árbitro deve ter adiado a decisão porque teve dúvida. Nestes casos, o árbitro deve observar o comportamento dos dois jogadores até que haja uma queda de seta. Após a queda de seta o árbitro deve verificar se as brancas têm material para dar mate. Caso positivo, deve decretar a vitória das brancas.
Conclusão: A decisão do árbitro deve ter sido correta.
Art. 10. 2 - Se o jogador com a vez de jogar tiver menos de dois minutos em seu relógio, pode reivindicar um empate antes da queda de sua seta. Ele deverá parar os relógios e chamar o árbitro.
a. Se o árbitro estiver convencido de que o oponente não está fazendo esforço para ganhar a partida, por meios normais, ou que não é possível o oponente vencer por meios normais, então deverá declarar a partida empatada. Se não estiver convencido deverá adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação.
b. Se o árbitro adia sua decisão, o oponente pode receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão e a partida deverá continuar na presença do árbitro, se possível. O árbitro poderá declarar o empate mesmo depois de a seta ter caído. Ele deverá declarar a partida empatada se concordar que a posição não pode ser ganha por meios normais, ou que o oponente não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais.
c. Se o árbitro rejeitar a reclamação, o oponente deverá receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão
d. A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas "a, b, c"."
Art. 10. 2 - Reivindicação de empate no período do primeiro controle tempo
Pergunta 23: Numa partida de xadrez pensado, no ritmo de 2 horas para 40 lances + 1h nocaute, o jogador das brancas (com rei e torre) depois do 30º lance, com seta pendurada, oferece empate para seu adversário (rei e 2 peões dobrados na coluna f) que recusa. Desesperado, percebendo que sua seta cairá em poucos segundos, para o relógio e exige empate ao árbitro, uma vez que seu adversário está totalmente perdido. Pode o árbitro decretar o empate?
Resposta: No primeiro controle de tempo não é licito ao jogador reivindicar empate com base no art. 10.2. Assim, o árbitro não poderá atender a reivindicação do jogador das brancas e deve determinar que a partida prossiga.
Na hipótese de não ter sido completado o número prescrito de lances após a queda de seta do jogador das brancas (e tendo o jogador das pretas material para dar mate) o árbitro terá de considerar o jogador das pretas vencedor da partida, com base no disposto no art. 6.10 da Lei do Xadrez.
"Art. 6.10 - Exceto quando se aplicam as disposições contidas nos Artigos 5.1, 5.2 "a", "b" e "c", perderá a partida o jogador que não completar, em seu tempo, o número prescrito de lances. Entretanto, a partida está empatada, quando se alcança uma posição em que o oponente não pode dar xeque mate no rei do adversário por qualquer seqüência de lances legais possíveis, mesmo pelo mais inábil contra-jogo."
Art. 10. 2 Reivindicação de empate - O árbitro agiu corretamente?
Pergunta 24: Numa partida, o jogador das brancas estava com cerca de 7 minutos, na posição, Rg1, g3, f4 Be3, b2; o jogador B de pretas estava com 30 segundos, na posição, Rf7, f6, f5, h5, Ce7, b5. O jogador apurado no tempo reivindicou o empate para o árbitro, alegando que o branco não tinha plano nenhum. O árbitro não concordou e determinou que a partida continuasse. Alguns lances mais tardes, cai a seta do jogador das pretas na seguinte posição: brancas Rh5, Bc5 g3, f4, b4; pretas Rd5, Ce4, f6, f5, b5. O árbitro confirmou a vitória do jogador das brancas, que havia acusado a queda de seta. Muito irritado, o jogador das pretas retirou-se do torneio alegando que naquela posição outros árbitros sempre dariam empate para ele. Foi correta a decisão do árbitro?
Resposta: O árbitro, com certeza, adiou a decisão no intuito de averiguar se o jogador das brancas iria fazer esforço para ganhar a partida por meios normais e não apenas aguardar a simples queda da seta do jogador das pretas, já que por algum motivo não tinha presenciado a partida. A decisão foi acertada porque não importa para o árbitro se o preto está melhor ou pior na posição (questão de ordem subjetiva). O importante nessas situações é ter-se a convicção de que o jogador, melhor no tempo, não está se valendo disso para ganhar a partida, sem se esforçar para aplicar o xeque-mate (questão de ordem objetiva). Nessa hipótese, ou, se o jogador das brancas não tivesse (na posição final) material para dar mate, o árbitro, aí sim, deveria decretar o empate.
Mas, ao cair a seta do jogador reivindicante, o árbitro só não decretará a derrota dele:
a) se concordar que a posição final não pode ser ganha por meios normais; ou,
b) se o oponente não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais.
Art. 10.2 – Uma grande dúvida!
Pergunta 25: Uma dúvida que sempre tenho a respeito do art. 10.2 é a seguinte:
Se o jogador que tem tempo suficiente, sabe que, se não estivesse em apuro de tempo, nunca ganharia a partida. Joga no intuito de empatar. O jogador com pouco tempo reclama empate, e o árbitro manda continuar. E logo o tempo se esgota, o que decreta o árbitro?
Resposta: Se faltam ao jogador menos de dois minutos em seu relógio pode reivindicar empate antes que caia sua seta.
Depois que parar seu relógio, o jogador deve chamar o árbitro.
Se o árbitro concorda que a posição final não pode ser ganha por meios normais ou que o adversário não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais, então declarará empatada a partida.
Se não concordar poderá adiar decisão ou rejeitar a reclamação.
Se o árbitro posterga sua decisão, o adversário pode ser compensado com 2 minutos de acréscimo em seu tempo de refflexão e a partida continuará en presencia del árbitro. Se o árbitro rejeita a reclamação o adversário deverá receber acréscimo de 2 minutos.
O arbitro declarará o resultado final após a queda de seta.
Art. 10.2 – Reivindicação de empate sob alegação de empate teórico
Pergunta 26: Faltando 1 minuto em seu relógio para terminar a partida o jogador A (com Rei e Torre) reivindica empate alegando empate teórico. O jogador B tem Rei, Torre e Bispo. O árbitro manda continuar a partida e cai seta do jogador B. O que deve decidir o árbitro: empate ou vitória das brancas?
Resposta: Conforme já frisei anteriormente, a lei não define situações de empate teórico, logo a decisão do árbitro foi acertada.
Após a queda de seta de um dos jogadores o árbitro deve declarar a partida empatada se concordar que a posição final não pode ser ganha por meios normais ou que o oponente não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais. Caso contrário, não há empate, ou seja, perde a partida o jogador cuja seta caiu.
Art. 10.2 - Reivindicação de empate - Adversário está em rede de mate!
Pergunta 27: Um jogador chama o árbitro alegando que o seu adversário não tem como ganhar a partida e demonstra a seqüência de jogadas que o leva a ganhar a partida, analisando todas as respostas possíveis de seu adversário (o famoso mate em cinco ou mate forçado em mais lances). Se o árbitro observar que a seqüência dada é correta, deve declarar a partida empatada? Ou deve deixar o jogo prosseguir até que um dos jogadores dê mate ou que alguma seta caia?
Resposta: Não compete ao árbitro analisar posições da partida para verificar quem está ganho, quem está melhor, quem está pior! A posição não tem a menor importância.
Além disso, não existe nenhum dispositivo na lei do xadrez que garanta a vitória para o jogador que disponha de mate em 1, 2, 3, 4 ou 5, etc...
Vale lembrar, também, que a lei do xadrez tem duas partes: uma trata das regras do jogo e a outra versa sobre as regras da competição.
E o fator tempo é importante também, visto que a queda de seta (devidamente acusada) implica na perda da partida, a não ser que o adversário não tenha material para dar MATE.
O árbitro não pode decretar empate nestas situações, uma vez que estaria agindo, desastradamente, interferindo no resultado normal de uma partida. Deve, portanto, deixar a partida prosseguir.
Art. 10.2 - Reivindicação de empate – Árbitro desafia jogador a derrotá-lo!
Pergunta 28: Num torneio o jogador A (brancas) reivindicou empate, mas sua seta caiu. O árbitro decretou o empate. O outro jogador protestou. O árbitro, que também é jogador, resolveu desafiar o jogador B (pretas) a derrotá-lo naquela posição. O árbitro pode usar como critério ao decretar empate o fato de o outro jogador não conseguir derrotá-lo?
Resposta: Recordemos o que pode o árbitro decidir nos casos de reivindicação de empate (10.2):
O árbitro poderá de acordo com a lei, aceitar a reivindicação e decretar o empate. (art. 10.2.a).
Ou adiar a decisão e poderá decretar o empate mesmo depois da seta caída. (art. 10.2.b).
Poderá rechaçar o empate e aí o adversário receberá um bônus extra de dois minutos. (art. 10.2.c).
Claro que o árbitro só pode decretar o empate, após a queda de seta, se:
a) a posição é “morta”; (conforme definido no art. 5.2.b) ou
b) o adversário não tem material para dar mate; ou
c) o adversário não pode dar mate por meios normais.
Mas, o que significa a expressão "dar mate por meios normais"?
Dar mate por meios normais significa que o jogador tem material suficiente para matematicamente dar mate, sem contar com a ajuda do adversário.
Sem dúvida há casos, chamados de 'mate ajudado'; nestes, o adversário faz lances completamente absurdos, tais como, levar o seu próprio rei para o cadafalso (canto do tabuleiro) e, além disso, deixar sua própria peça na casa de única fuga possível para o rei.
A própria peça ficaria, neste caso, com a alcunha de 'bandida'.
Evidentemente, o árbitro não pode decretar o empate se a seta do relógio do jogador caiu e ainda há jogo no tabuleiro.
Volto a frisar: a lei não disciplina os casos de empate teórico.
Mais absurdo, ainda, seria o árbitro decretar empate desafiando o adversário a dar uma linha de ganho.
Não tem cabimento. A lei do xadrez não regula nada disso.
Conclusão: O árbitro estaria, portanto, distorcendo o resultado da partida, premiando o um dos lados com o
empate, ao invés de aplicar o resultado normal: derrota por queda de seta, evidentemente, na hipótese de o adversário ter material suficiente para dar mate.
Art. 10.2 Reivindicação de empate em partida jogada com relógio digital -
Pergunta 29: Num torneio disputado com relógio digital no ritmo de 1h:30 para toda a partida + bônus de 30 segundos para cada lance executado a partir do 1º lance, pode o jogador reivindicar empate com base no art. 10.2?
Resposta: Consoante decisão do Comitê de Regras da FIDE, o jogador não pode reivindicar empate com base no art. 10.2 caso receba 30 ou mais segundos de incremento em seu relógio por lance executado.
Pergunta 18: Como o árbitro deve agir quando o jogador, faltando menos de dois minutos para terminar a partida de quickplay, reivindica empate?
Resposta: O art. 10.2, sem dúvida, é um dos pontos mais polêmicos da Lei do Xadrez.
Após uma reivindicação de empate, o árbitro conta com três alternativas:
a) aceitar a reivindicação de empate com fulcro no disposto na alínea do art. 10.2 “a”.
b) adiar a decisão (10.2."b") e a partida continua; fica a critério do árbitro conceder, ou não, 2 minutos para o adversário. Após a queda de seta, o árbitro define qual o resultado da partida, podendo inclusive decretar o empate, ou seja, concordando com a reivindicação; sua decisão de empate também é definitiva.
c) rejeitar a reivindicação de empate; neste caso, o árbitro deve adicionar 2 minutos ao relógio do adversário. (10.2."c")
OBS: A decisão do árbitro será definitiva, não cabendo recurso (10.2 "d").
Art. 10.2 Reivindicação de empate - Quais critérios o árbitro deve considerar?
Pergunta 19: Para o árbitro decidir sobre a reivindicação de empate com base no art. 10.2, ele deve levar em consideração o que? a) somente a posição; b) somente a conduta dos jogadores, vendo se há esforço para o ganho; c) ou ambos?
Resposta: O árbitro, ao analisar uma reivindicação com base no art. 10.2, deve evitar o julgamento subjetivo: quem está ganho, quem está superior etc...
Para decidir, o árbitro deve se ater a aspectos de ordem objetiva, ou seja, verificar se o adversário está querendo apenas explorar a sua vantagem de tempo e não está se esforçando para ganhar por meios normais, (forçar o xeque mate, por exemplo). Ou, se o adversário não pode, em hipótese alguma, ganhar por meios normais, ou não está fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais.
Nota: A exemplo da Lei do futebol que não obriga que o árbitro tenha sido um renomado jogador, a Lei do Xadrez também não exige que o árbitro conheça xadrez tanto quanto um Grande Mestre, ou mesmo que seja um jogador. Logo, não cabe ao árbitro analisar posições.
10. 2 – Reivindicação de empate - Intervenção do árbitro
Pergunta 20: No caso de reivindicação de empate a que se refere o artigo 10. 2, por melhor que esteja o jogador, na posição ou material, se a sua seta cair a partida está, a princípio, perdida pelo tempo? Caso contrário o relógio não cumpriria o seu objetivo? (a não ser que a posição esteja clara e evidentemente empatada. Ex: RxR, RBxR, RCxR,etc)
Resposta: Ao analisar reivindicações de empate feitas com base no art. 10.2 da Lei do Xadrez, o árbitro não deve se preocupar com aspectos de ordem subjetiva: a) quem está ganho? b) quem está perdido? c) quem está superior?
O árbitro deve se preocupar com aspectos de ordem objetiva: por exemplo, perguntar a si próprio:
- O adversário está querendo apenas explorar a sua vantagem de tempo? ou,
- O adversário não está se esforçando para ganhar por meios normais (forçando o xeque mate)? ou,
- O adversário não pode, em hipótese alguma, ganhar por meios normais?
Se o árbitro estiver absolutamente convencido de que o adversário não está fazendo esforço para ganhar por meios normais, mas apenas explorando a vantagem no tempo, ou que o adversário não pode ganhar em qualquer hipótese, aí sim deve intervir e decretar o empate.
Mas, se o árbitro não estiver absolutamente convencido disso, deve deixar a partida continuar.
É importante lembrar que, se o árbitro determinou que a partida continuasse (adiou a sua decisão), ele só DEVE DETERMINAR O EMPATE se estiver absolutamente convencido de que o adversário, durante aquele período, jogou somente para explorar a vantagem de tempo.
Caso contrário, ao cair a seta, o árbitro deve verificar se o adversário tem material para dar mate.
Se o adversário não tiver material para dar mate, o árbitro DEVE DECRETAR O EMPATE.
Por outro lado, se o adversário tiver material para dar mate e, não explorou a sua vantagem de tempo, logicamente deverá ter a sua vitória confirmada pelo árbitro, independentemente de quem esteja superior na posição final.
Art. 10.2 - Reivindicação de empate - caso polêmico
Pergunta 21: Dois jogadores titulados estão na fase final de uma partida de xadrez pensado. Faltando menos de 2 minutos no seu relógio, as pretas reivindicam empate valendo-se do art. 10.2, tendo o árbitro adiado sua decisão.
Situação: brancas com rei, dama, bispo e peão (dispunha de algo em torno de 5 minutos de tempo); pretas com rei, dama e peão. A seta do jogador das brancas cai (fato sinalizado pelo árbitro). O árbitro declara então o empate, com base no disposto na alínea b do art. 10.2. Foi correta a decisão do árbitro?
Resposta: De acordo com o disposto no art. 10.2 da Lei do Xadrez o árbitro, ao examinar uma reivindicação de empate, poderá decretar o empate, adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação.
No caso em questão o árbitro determinou que a partida continuasse, adiando sua decisão.
Após a queda de seta do jogador das brancas, o árbitro deve decretar o resultado com base no bom senso e é claro que o comportamento dos dois jogadores nos instantes em que ele pode observar a partida.
Conclusão: Se o árbitro estiver convencido de que, nenhum dos dois, fez suficientes tentativas, para vencer por meios normais, ou concordar que a posição final não pode ser ganha por meios normais, deverá decretar o empate. Se foi realmente isso o que aconteceu, a decisão parece ter sido correta.
"Art. 10.2 - Se o jogador, com a vez de jogar, tiver menos de dois minutos em seu relógio, pode reivindicar empate antes da queda de sua seta. Deverá parar os relógios e chamar o árbitro.
a) Se o árbitro estiver convencido de que o oponente não está fazendo esforço para ganhar a partida, por meios normais, ou que não é possível o oponente vencer por meios normais, então deverá declarar a partida empatada. Se não estiver convencido, deverá adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação.
b) Se o árbitro adia sua decisão, o oponente pode receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão e a partida deverá continuar na presença do árbitro, se possível. O árbitro poderá declarar o empate mesmo depois de a seta ter caído. Ele deverá decretar a partida empatada.
c) Se o árbitro rejeitar a reclamação, o oponente deverá receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão
d) A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas "a, b, c". "
Art. 10.2 - Reivindicação de empate - outro caso polêmico
Pergunta 22: Num torneio no ritmo de 61 minutos, em uma partida válida pela 4ª rodada, o jogador das pretas estava muito apurado no tempo e reivindicou empate com base no art. 10.2. O árbitro não atendeu porque o adversário, embora inferiorizado, tinha material para mate. A partida prosseguiu e em seguida caiu a seta das pretas. A questão gerou polêmica porque na posição final (final de torres e peões) as pretas estavam praticamente ganhas. O árbitro tomou a decisão certa ao dar a vitória às brancas?
Resposta: O árbitro, ao analisar uma reivindicação com base no art. 10.2, deve evitar o julgamento subjetivo, por exemplo, quem está GANHO, quem está SUPERIOR etc...
Para decidir o árbitro deve se ater a aspectos de ordem objetiva; por exemplo, se o adversário não pode, em hipótese alguma, ganhar por meios normais.
O árbitro deve ter adiado a decisão porque teve dúvida. Nestes casos, o árbitro deve observar o comportamento dos dois jogadores até que haja uma queda de seta. Após a queda de seta o árbitro deve verificar se as brancas têm material para dar mate. Caso positivo, deve decretar a vitória das brancas.
Conclusão: A decisão do árbitro deve ter sido correta.
Art. 10. 2 - Se o jogador com a vez de jogar tiver menos de dois minutos em seu relógio, pode reivindicar um empate antes da queda de sua seta. Ele deverá parar os relógios e chamar o árbitro.
a. Se o árbitro estiver convencido de que o oponente não está fazendo esforço para ganhar a partida, por meios normais, ou que não é possível o oponente vencer por meios normais, então deverá declarar a partida empatada. Se não estiver convencido deverá adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação.
b. Se o árbitro adia sua decisão, o oponente pode receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão e a partida deverá continuar na presença do árbitro, se possível. O árbitro poderá declarar o empate mesmo depois de a seta ter caído. Ele deverá declarar a partida empatada se concordar que a posição não pode ser ganha por meios normais, ou que o oponente não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais.
c. Se o árbitro rejeitar a reclamação, o oponente deverá receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão
d. A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas "a, b, c"."
Art. 10. 2 - Reivindicação de empate no período do primeiro controle tempo
Pergunta 23: Numa partida de xadrez pensado, no ritmo de 2 horas para 40 lances + 1h nocaute, o jogador das brancas (com rei e torre) depois do 30º lance, com seta pendurada, oferece empate para seu adversário (rei e 2 peões dobrados na coluna f) que recusa. Desesperado, percebendo que sua seta cairá em poucos segundos, para o relógio e exige empate ao árbitro, uma vez que seu adversário está totalmente perdido. Pode o árbitro decretar o empate?
Resposta: No primeiro controle de tempo não é licito ao jogador reivindicar empate com base no art. 10.2. Assim, o árbitro não poderá atender a reivindicação do jogador das brancas e deve determinar que a partida prossiga.
Na hipótese de não ter sido completado o número prescrito de lances após a queda de seta do jogador das brancas (e tendo o jogador das pretas material para dar mate) o árbitro terá de considerar o jogador das pretas vencedor da partida, com base no disposto no art. 6.10 da Lei do Xadrez.
"Art. 6.10 - Exceto quando se aplicam as disposições contidas nos Artigos 5.1, 5.2 "a", "b" e "c", perderá a partida o jogador que não completar, em seu tempo, o número prescrito de lances. Entretanto, a partida está empatada, quando se alcança uma posição em que o oponente não pode dar xeque mate no rei do adversário por qualquer seqüência de lances legais possíveis, mesmo pelo mais inábil contra-jogo."
Art. 10. 2 Reivindicação de empate - O árbitro agiu corretamente?
Pergunta 24: Numa partida, o jogador das brancas estava com cerca de 7 minutos, na posição, Rg1, g3, f4 Be3, b2; o jogador B de pretas estava com 30 segundos, na posição, Rf7, f6, f5, h5, Ce7, b5. O jogador apurado no tempo reivindicou o empate para o árbitro, alegando que o branco não tinha plano nenhum. O árbitro não concordou e determinou que a partida continuasse. Alguns lances mais tardes, cai a seta do jogador das pretas na seguinte posição: brancas Rh5, Bc5 g3, f4, b4; pretas Rd5, Ce4, f6, f5, b5. O árbitro confirmou a vitória do jogador das brancas, que havia acusado a queda de seta. Muito irritado, o jogador das pretas retirou-se do torneio alegando que naquela posição outros árbitros sempre dariam empate para ele. Foi correta a decisão do árbitro?
Resposta: O árbitro, com certeza, adiou a decisão no intuito de averiguar se o jogador das brancas iria fazer esforço para ganhar a partida por meios normais e não apenas aguardar a simples queda da seta do jogador das pretas, já que por algum motivo não tinha presenciado a partida. A decisão foi acertada porque não importa para o árbitro se o preto está melhor ou pior na posição (questão de ordem subjetiva). O importante nessas situações é ter-se a convicção de que o jogador, melhor no tempo, não está se valendo disso para ganhar a partida, sem se esforçar para aplicar o xeque-mate (questão de ordem objetiva). Nessa hipótese, ou, se o jogador das brancas não tivesse (na posição final) material para dar mate, o árbitro, aí sim, deveria decretar o empate.
Mas, ao cair a seta do jogador reivindicante, o árbitro só não decretará a derrota dele:
a) se concordar que a posição final não pode ser ganha por meios normais; ou,
b) se o oponente não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais.
Art. 10.2 – Uma grande dúvida!
Pergunta 25: Uma dúvida que sempre tenho a respeito do art. 10.2 é a seguinte:
Se o jogador que tem tempo suficiente, sabe que, se não estivesse em apuro de tempo, nunca ganharia a partida. Joga no intuito de empatar. O jogador com pouco tempo reclama empate, e o árbitro manda continuar. E logo o tempo se esgota, o que decreta o árbitro?
Resposta: Se faltam ao jogador menos de dois minutos em seu relógio pode reivindicar empate antes que caia sua seta.
Depois que parar seu relógio, o jogador deve chamar o árbitro.
Se o árbitro concorda que a posição final não pode ser ganha por meios normais ou que o adversário não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais, então declarará empatada a partida.
Se não concordar poderá adiar decisão ou rejeitar a reclamação.
Se o árbitro posterga sua decisão, o adversário pode ser compensado com 2 minutos de acréscimo em seu tempo de refflexão e a partida continuará en presencia del árbitro. Se o árbitro rejeita a reclamação o adversário deverá receber acréscimo de 2 minutos.
O arbitro declarará o resultado final após a queda de seta.
Art. 10.2 – Reivindicação de empate sob alegação de empate teórico
Pergunta 26: Faltando 1 minuto em seu relógio para terminar a partida o jogador A (com Rei e Torre) reivindica empate alegando empate teórico. O jogador B tem Rei, Torre e Bispo. O árbitro manda continuar a partida e cai seta do jogador B. O que deve decidir o árbitro: empate ou vitória das brancas?
Resposta: Conforme já frisei anteriormente, a lei não define situações de empate teórico, logo a decisão do árbitro foi acertada.
Após a queda de seta de um dos jogadores o árbitro deve declarar a partida empatada se concordar que a posição final não pode ser ganha por meios normais ou que o oponente não estava fazendo suficientes tentativas para vencer o jogo por meios normais. Caso contrário, não há empate, ou seja, perde a partida o jogador cuja seta caiu.
Art. 10.2 - Reivindicação de empate - Adversário está em rede de mate!
Pergunta 27: Um jogador chama o árbitro alegando que o seu adversário não tem como ganhar a partida e demonstra a seqüência de jogadas que o leva a ganhar a partida, analisando todas as respostas possíveis de seu adversário (o famoso mate em cinco ou mate forçado em mais lances). Se o árbitro observar que a seqüência dada é correta, deve declarar a partida empatada? Ou deve deixar o jogo prosseguir até que um dos jogadores dê mate ou que alguma seta caia?
Resposta: Não compete ao árbitro analisar posições da partida para verificar quem está ganho, quem está melhor, quem está pior! A posição não tem a menor importância.
Além disso, não existe nenhum dispositivo na lei do xadrez que garanta a vitória para o jogador que disponha de mate em 1, 2, 3, 4 ou 5, etc...
Vale lembrar, também, que a lei do xadrez tem duas partes: uma trata das regras do jogo e a outra versa sobre as regras da competição.
E o fator tempo é importante também, visto que a queda de seta (devidamente acusada) implica na perda da partida, a não ser que o adversário não tenha material para dar MATE.
O árbitro não pode decretar empate nestas situações, uma vez que estaria agindo, desastradamente, interferindo no resultado normal de uma partida. Deve, portanto, deixar a partida prosseguir.
Art. 10.2 - Reivindicação de empate – Árbitro desafia jogador a derrotá-lo!
Pergunta 28: Num torneio o jogador A (brancas) reivindicou empate, mas sua seta caiu. O árbitro decretou o empate. O outro jogador protestou. O árbitro, que também é jogador, resolveu desafiar o jogador B (pretas) a derrotá-lo naquela posição. O árbitro pode usar como critério ao decretar empate o fato de o outro jogador não conseguir derrotá-lo?
Resposta: Recordemos o que pode o árbitro decidir nos casos de reivindicação de empate (10.2):
O árbitro poderá de acordo com a lei, aceitar a reivindicação e decretar o empate. (art. 10.2.a).
Ou adiar a decisão e poderá decretar o empate mesmo depois da seta caída. (art. 10.2.b).
Poderá rechaçar o empate e aí o adversário receberá um bônus extra de dois minutos. (art. 10.2.c).
Claro que o árbitro só pode decretar o empate, após a queda de seta, se:
a) a posição é “morta”; (conforme definido no art. 5.2.b) ou
b) o adversário não tem material para dar mate; ou
c) o adversário não pode dar mate por meios normais.
Mas, o que significa a expressão "dar mate por meios normais"?
Dar mate por meios normais significa que o jogador tem material suficiente para matematicamente dar mate, sem contar com a ajuda do adversário.
Sem dúvida há casos, chamados de 'mate ajudado'; nestes, o adversário faz lances completamente absurdos, tais como, levar o seu próprio rei para o cadafalso (canto do tabuleiro) e, além disso, deixar sua própria peça na casa de única fuga possível para o rei.
A própria peça ficaria, neste caso, com a alcunha de 'bandida'.
Evidentemente, o árbitro não pode decretar o empate se a seta do relógio do jogador caiu e ainda há jogo no tabuleiro.
Volto a frisar: a lei não disciplina os casos de empate teórico.
Mais absurdo, ainda, seria o árbitro decretar empate desafiando o adversário a dar uma linha de ganho.
Não tem cabimento. A lei do xadrez não regula nada disso.
Conclusão: O árbitro estaria, portanto, distorcendo o resultado da partida, premiando o um dos lados com o
empate, ao invés de aplicar o resultado normal: derrota por queda de seta, evidentemente, na hipótese de o adversário ter material suficiente para dar mate.
Art. 10.2 Reivindicação de empate em partida jogada com relógio digital -
Pergunta 29: Num torneio disputado com relógio digital no ritmo de 1h:30 para toda a partida + bônus de 30 segundos para cada lance executado a partir do 1º lance, pode o jogador reivindicar empate com base no art. 10.2?
Resposta: Consoante decisão do Comitê de Regras da FIDE, o jogador não pode reivindicar empate com base no art. 10.2 caso receba 30 ou mais segundos de incremento em seu relógio por lance executado.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
60- Quiz Maiakowsky!!
Enviarei por mail a segunda (e última) apostila de cálculo do GM Leitão ao primeiro
de meus leitores que responderem corretamente a esta pergunta: Qual enxadrista do primeiro quarto do século XX era cego da vista direita? este cidadão era figurinha manjada nos grandes torneios internacionais!
de meus leitores que responderem corretamente a esta pergunta: Qual enxadrista do primeiro quarto do século XX era cego da vista direita? este cidadão era figurinha manjada nos grandes torneios internacionais!
59- Questões de Arbitragem III
Armageddom – É jogado em que cadência?
13-Pergunta: Li que nos desempates de torneios Fide, pode ser decidido o desempate com base no armageddom. Em que ritmo é jogada esta partida?
Resposta: Nos desempates em torneios valendo rating FIDE, dois jogadores empatados em pontuação e em todos os outros critérios de desempate, devem para definir o 1º lugar jogar uma partida armagedom, também conhecido como morte súbita, brancas com 5 minutos, pretas com 4 minutos, brancas jogando para ganhar.
Art. 10.2 da Lei do Xadrez, o jogador está com peça a mais devido a sacrifício feito pelo adversário
14-Pergunta: Numa partida de xadrez pensado, o jogador das brancas sacrifica uma peça por ataque de mate. O jogador das pretas, com peça a mais, mas apurado no tempo, reivindica empate com base no art. 10.2. O arbitro adia a decisão determinando que a partida continue. As pretas não fazem o seu lance, aguardando a queda de sua seta (na expectativa da decretação do empate). O que o árbitro deve decidir?
Resposta: O árbitro agiu com bom senso ao adiar a sua decisão. Não poderia decretar o empate visto que o jogador das brancas sacrificou uma peça, está no ataque e tem material para dar mate.
Ao cair a seta das pretas o resultado da partida é logicamente a vitória das brancas.
O árbitro só poderia decretar o empate se as brancas na posição final não tiverem material para dar mate.
Artigo 10.2 não se aplica no caso de ‘morte súbita’ ?
15-Pergunta: Na final de um campeonato absoluto sub-20, dois jogadores terminam empatados no primeiro. Segundo o regulamento, o desempate deve ser efetuado em match de 2 partidas entre os jogadores, na modalidade morte-súbita. Na primeira partida, no ritmo de 15 minutos para cada jogador, o jogador A , que tem rei e torre, oferece empate. O Jogador B, que tem rei e cavalo recusa a oferta, uma vez que o adversário está apurado. O jogador A, então reivindica empate, no tempo regulamentar, com base no art. 10.2. O árbitro rejeita a reivindicação de empate afirmando que “a nova lei estabelece que não se aplica o art. 10.2 para partidas de morte-súbita”. Foi correta a decisão do árbitro?
Resposta: O tiebreak foi jogado no ritmo de 15 minutos para cada jogador que é considerado ritmo rápido, conforme o disposto no apêndice B. A reivindicação de empate, com base no art. 10.2, é factível tanto no ritmo pensado quanto no rápido. Só é vedado no ritmo de blitz, face ao disposto no apêndice C2.
Conclusão: A decisão do árbitro não tem amparo legal.
Art. 10.2 da Lei do Xadrez – Aplicabilidade no Nocaute – e no Blitz?
16-Pergunta: O artigo 10.2, segundo entendo, se aplica aos torneios nocaute, em que todos os lances devem ser executados em um tempo determinado. Não se aplica ao blitz, mas se aplica aos torneios com relógio digital. Está correto?
Resposta: O artigo 10.2 aplica-se à fase de uma partida em que todos os lances remanescentes devem ser efetuados num determinado período (limite) de tempo.
Exemplificando: Suponhamos que o torneio seja disputado na cadência de 2 horas para os 40 lances iniciais + 1 hora ‘quickplay finish’.
O torneio terá dois períodos bem definidos. Nas duas primeiras horas não será aplicável o art. 10.2.
No segundo período, que é conhecido como ‘quickplay finish’, o jogador, quando faltar-lhe menos de 2 minutos para sua queda de seta, poderá utilizar-se da prerrogativa do art. 10.2.
Realmente, o art. 10.2 não se aplica aos torneios de blitz (relâmpago), tendo em conta o disposto no Apêndice C2 das Leis do Xadrez.
Além disso, o art. 10.2 também não é aplicável nos torneios com relógios eletrônicos em que haja acréscimo igual ou superior a 30 segundos por lance executado, desde o 1º lance.
”C2 - ...Os artigos 10.2 e B6 não se aplicam.”
Art. 10. 2 Recurso – Cabe recurso sobre decisão do árbitro de empate
17-Pergunta: Cabe apelação sobre uma decisão do árbitro feita com base no artigo 10.2, ou melhor, pode o jogador envolvido acionar a Comissão de Apelação para recorrer da decisão do árbitro sobre o artigo 10.2?
Resposta: A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) conforme o previsto no art. 10.2 “d" da Lei do Xadrez. Por isso recomenda a prudência que o árbitro adie sua decisão se não estiver absolutamente convencido de que a posição está empatada.
Vale lembrar que o empate pode ser decretado até mesmo depois da queda de seta.
Conclusão: O jogador não deve apresentar apelação porque a decisão do árbitro é definitiva, não cabendo recurso.
”Art. 10.2, b - A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas a, b e c.”
13-Pergunta: Li que nos desempates de torneios Fide, pode ser decidido o desempate com base no armageddom. Em que ritmo é jogada esta partida?
Resposta: Nos desempates em torneios valendo rating FIDE, dois jogadores empatados em pontuação e em todos os outros critérios de desempate, devem para definir o 1º lugar jogar uma partida armagedom, também conhecido como morte súbita, brancas com 5 minutos, pretas com 4 minutos, brancas jogando para ganhar.
Art. 10.2 da Lei do Xadrez, o jogador está com peça a mais devido a sacrifício feito pelo adversário
14-Pergunta: Numa partida de xadrez pensado, o jogador das brancas sacrifica uma peça por ataque de mate. O jogador das pretas, com peça a mais, mas apurado no tempo, reivindica empate com base no art. 10.2. O arbitro adia a decisão determinando que a partida continue. As pretas não fazem o seu lance, aguardando a queda de sua seta (na expectativa da decretação do empate). O que o árbitro deve decidir?
Resposta: O árbitro agiu com bom senso ao adiar a sua decisão. Não poderia decretar o empate visto que o jogador das brancas sacrificou uma peça, está no ataque e tem material para dar mate.
Ao cair a seta das pretas o resultado da partida é logicamente a vitória das brancas.
O árbitro só poderia decretar o empate se as brancas na posição final não tiverem material para dar mate.
Artigo 10.2 não se aplica no caso de ‘morte súbita’ ?
15-Pergunta: Na final de um campeonato absoluto sub-20, dois jogadores terminam empatados no primeiro. Segundo o regulamento, o desempate deve ser efetuado em match de 2 partidas entre os jogadores, na modalidade morte-súbita. Na primeira partida, no ritmo de 15 minutos para cada jogador, o jogador A , que tem rei e torre, oferece empate. O Jogador B, que tem rei e cavalo recusa a oferta, uma vez que o adversário está apurado. O jogador A, então reivindica empate, no tempo regulamentar, com base no art. 10.2. O árbitro rejeita a reivindicação de empate afirmando que “a nova lei estabelece que não se aplica o art. 10.2 para partidas de morte-súbita”. Foi correta a decisão do árbitro?
Resposta: O tiebreak foi jogado no ritmo de 15 minutos para cada jogador que é considerado ritmo rápido, conforme o disposto no apêndice B. A reivindicação de empate, com base no art. 10.2, é factível tanto no ritmo pensado quanto no rápido. Só é vedado no ritmo de blitz, face ao disposto no apêndice C2.
Conclusão: A decisão do árbitro não tem amparo legal.
Art. 10.2 da Lei do Xadrez – Aplicabilidade no Nocaute – e no Blitz?
16-Pergunta: O artigo 10.2, segundo entendo, se aplica aos torneios nocaute, em que todos os lances devem ser executados em um tempo determinado. Não se aplica ao blitz, mas se aplica aos torneios com relógio digital. Está correto?
Resposta: O artigo 10.2 aplica-se à fase de uma partida em que todos os lances remanescentes devem ser efetuados num determinado período (limite) de tempo.
Exemplificando: Suponhamos que o torneio seja disputado na cadência de 2 horas para os 40 lances iniciais + 1 hora ‘quickplay finish’.
O torneio terá dois períodos bem definidos. Nas duas primeiras horas não será aplicável o art. 10.2.
No segundo período, que é conhecido como ‘quickplay finish’, o jogador, quando faltar-lhe menos de 2 minutos para sua queda de seta, poderá utilizar-se da prerrogativa do art. 10.2.
Realmente, o art. 10.2 não se aplica aos torneios de blitz (relâmpago), tendo em conta o disposto no Apêndice C2 das Leis do Xadrez.
Além disso, o art. 10.2 também não é aplicável nos torneios com relógios eletrônicos em que haja acréscimo igual ou superior a 30 segundos por lance executado, desde o 1º lance.
”C2 - ...Os artigos 10.2 e B6 não se aplicam.”
Art. 10. 2 Recurso – Cabe recurso sobre decisão do árbitro de empate
17-Pergunta: Cabe apelação sobre uma decisão do árbitro feita com base no artigo 10.2, ou melhor, pode o jogador envolvido acionar a Comissão de Apelação para recorrer da decisão do árbitro sobre o artigo 10.2?
Resposta: A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) conforme o previsto no art. 10.2 “d" da Lei do Xadrez. Por isso recomenda a prudência que o árbitro adie sua decisão se não estiver absolutamente convencido de que a posição está empatada.
Vale lembrar que o empate pode ser decretado até mesmo depois da queda de seta.
Conclusão: O jogador não deve apresentar apelação porque a decisão do árbitro é definitiva, não cabendo recurso.
”Art. 10.2, b - A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas a, b e c.”
quinta-feira, 24 de julho de 2008
58- Futebol, Remo e.......Xadrez!!
Remo, futebol e (quem sabe, um dia) xadrez
Alfredo Pereira dos Santos
Vocês podem não acreditar, mas o fato é que o futebol, para se tornar o Rei dos Esportes no Brasil, teve antes que destronar o remo. A imprensa sempre se fazia presente em qualquer regatazinha, enquanto que, no futebol, a ausência de fotógrafos e repórteres era coisa normal (1).
Marcar um jogo de futebol para um dia de regata era besteira, pois o fracasso seria certo. O remo era considerado o esporte másculo por excelência. Esporte para homem. Do futebol dizia-se que “tinha uma delicadeza de balé” que, no Brasil, para muita gente, é coisa de fresco, “jogadores correndo atrás de uma bola, levantando a perna, dando saltinhos” (2).
É possível ver, em fotos tiradas no início do século passado, que o remo era, realmente, muito popular. No Rio de Janeiro não havia praia que não tivesse a turma da regata. O Flamengo foi fundado em 1895, não como clube de futebol, mas sim como clube de regatas. Aliás, essa presença do remo pode ser vista em muitos nomes de clubes pelo Brasil a fora. Para ficar só no Rio de Janeiro, além do Clube de Regatas do Flamengo, já citado, podemos mencionar Botafogo de Futebol e Regatas e Clube de Regatas Vasco da Gama.
Antes que o Charles Miller retornasse ao Brasil, com a bola de futebol e com as regras do jogo, o remo já estava aqui, trazido por alemães e italianos. Então, quem tinha tradição era o remo. E quando alguns clubes começaram a introduzir o futebol este foi objeto de oposição e protestos da turma do remo, que achavam que futebol nada tinha a ver com as origens náuticas dos clubes. A sociedade carioca não via o futebol com entusiasmo.
Por razões que a mim faltam o engenho e a arte para explicar, o futebol foi, aos poucos, tendo a sua imagem modificada, passando a ser a do futebol-força, da virilidade física dos jogadores disputando a posse da bola. E o que era considerado “passo de balé” passou a ser tratado, sobretudo pela imprensa, como “lance viril”.
Eu não sei se a crescente popularidade do futebol levou a imprensa a se interessar por ele ou se o enorme destaque que a imprensa dá ao esporte o transformou no que ele é hoje. Ou seriam as duas coisas atuando reciprocamente, interagindo entre si? Deixo essa questão a cargo dos estudiosos da sociologia do futebol – creio até que já existam estudos sobre isso – convidando os meus leitores a aventarem hipóteses sobre o tema. O que eu sei é que o futebol penetrou tanto na alma e no coração do povo brasileiro que se transformou num fenômeno lingüístico. Hoje é comum ouvir-se expressões, que tiveram origem no jogo, empregadas em contextos totalmente alheios ao futebol. Exemplos:
Pisou na bola, significando fazer coisa errada, deixar furo.
Bateu na trave, quase conseguir um objetivo.
Bola pra frente, não desistir, continuar.
Ficar fora da jogada, não ser incluído em alguma coisa.
Entrar de sola, agir agressivamente.
Tirar o time de campo, desistir, ir embora.
Ademais, expressões comuns no futebol passaram a ser usadas em novelas e em publicidade (3).
Além disso o futebol passou a ser meio de afirmação nacional, além de meio de afirmação do negro e do branco de poucas posses. De esporte, passou a ser também, meio de vida. Milhares de pessoas dependem dele.
Como se não bastasse, o futebol não só constitui a válvula de escape das camadas populares, mas também de intelectuais e homens de negócios que se apaixonam por esse esporte e estão sujeitos a uma mesma seqüência emotiva: excitação, sensação, alegria, e isso repetidas vezes (4).
Existe também no futebol uma clara conotação sexual, manifesta em expressões como “véu da noiva”, referindo-se à rede. E encontrar o caminho da rede é o grande objetivo. É na feitura do gol, conclusão do ato da posse da bola, que se manifesta a satisfação completa. É um ato de penetração. Notem a expressão “entrou com bola e tudo”.
Interessaria, pois, aos adeptos do xadrez, saber como seria possível fazer entrar o seu jogo predileto nos corações e almas dos brasileiros.
A gente sabe que existem lutas que são desiguais. De cara a gente sabe que o xadrez não tem como representar, para o povo brasileiro, o mesmo que representa o futebol. As motivações inconscientes que levam um homem a jogar xadrez não são as mesmas que o levam a jogar futebol. Enfiar uma bola numa rede é coisa bem distinta do que dar xeque-mate, que significa “Morte ao Rei”. E esse Rei pode ser perfeitamente a imagem do pai. Os pesquisadores da Clínica Tavistock, de Londres, dizem que “O xadrez é um assassinato planejado”.
Xadrez e futebol devem, pois, transitar em espaços distintos. Eles não se excluem, mutuamente. Então não seria o caso de fazer acontecer o que aconteceu com o futebol em relação ao remo, de um desbancar o outro. Naturalmente que o futebol, ao destronar o remo, não o fez por maldade. Simplesmente ocorreu o fenômeno e gente do remo está fazendo pesquisa para saber o porquê desse esporte hoje ter tão pouca divulgação no Brasil.
Numa enquête realizada (5) eles pedem as pessoas que selecionem uma das seguintes hipóteses:
1) Porque falta apoio das empresas, do governo e da mídia; sem isso, não podemos cobrar nada.
2) É um esporte elitista, que não possibilita a grande parte do público praticar.
3) É o tipo de esporte que não atrai as massas; quem é que vai querer ver uma competição dessas?
4) Porque o Brasil jamais teve um atleta de nível internacional; no dia em que isso acontecer, haverá a divulgação.
5) Quem disse que remo tem pouca divulgação no Brasil? E essa página aqui, o que é?
Mais de 60 por cento dos que responderam optaram pela primeira alternativa. O que responderiam os nosso jogadores de xadrez se fossem responder à mesma enquête, substituindo, naturalmente, remo por xadrez? Fica a sugestão da pesquisa.
Para mim o sucesso do futebol aconteceu porque ele saiu dos clubes fechados da elite e chegou ao povão. E passou a ser jogado em campos de várzea. Um pedaço de terra, dois pedaços de pau, com uma travessa por cima, fincados no chão, uma bola de meia e pronto. Foi assim que o Pelé começou. (6)
Foi dito, anteriormente, que antigamente toda praia tinha a sua turma da regata. Então seria preciso também que toda a praia e toda praça tivesse a sua turma do xadrez. Só que os enxadristas insistem em jogar em suas casas e em seus clubes fechados. Sei, de ver e ouvir dizer, que muitos pais não gostam de ver seus filhos enfurnados em salas de xadrez. Preferem-nos vê-los ao ar livre, correndo e brincando, nos parques, nas praias e nas piscinas. Que tal se colocássemos, próximo a essas, mesas de xadrez?
O primeiro grande craque brasileiro de futebol não saiu dos clubes de elite. Era filho de um alemão com uma negra. Refiro-me ao grande Arthur Friedenreich (7). Arthur era mulato e teve dificuldades para jogar nos clubes da idiota elite branca racista. Mas ele se impôs pelo seu grande talento e conquistou o seu lugar.
Desse modo, com a participação do povão, o futebol não só melhorou de nível como passou a atrair a atenção da imprensa e da sociedade em geral. Eu tenho certeza de que com o xadrez também vai ser assim. Sem o povão não tem solução. O xadrez vai ficar nessa lengalenga, nesse vai-não-vai, andando a passos de cágado (felizmente, com a reforma ortográfica, as palavras proparoxítonas vão continuar sendo acentuadas, caso contrário eu não sei como a coisa iria ficar).
Pelo exposto, seria de bom alvitre que os responsáveis pelo xadrez deixassem de tergiversações, de leguleios, de embromações e procurassem motivar os enxadristas a irem para as ruas. Xadrez na escola é bom, mas é muito mais fácil levá-lo para as praças. Ou será que se esqueceram do que disse Castro Alves: “A praça é do povo, como o céu é do condor”?
Clauzewitz disse, certa vez, que “A guerra é assunto importante demais para ficar apenas à cargo dos generais”. Parafraseando-o, eu diria que “O xadrez é importante demais para ficar apenas nas mãos daqueles que o administram”. Sinergia é fundamental e com o xadrez não seria exceção. Então é preciso que os enxadristas comecem a dar tratos à bola e botem a imaginação criadora para funcionar, para ver se as coisas mudam. Que não fiquem dependentes de dirigentes e de federações. O xadrez é maior do que tudo isso.
Por enquanto a única expressão do xadrez com trânsito na mídia é xeque-mate. Por exemplo, “A Polícia Federal deu um xeque-mate em Daniel Dantas”. No dia em que expressões como “A sua impetuosidade entrou como uma Torre na sétima fila da minha sensibilidade” forem comuns em diálogos das moças com os seus namorados eu vou começar a achar que o tempo do xadrez está chegando. Vocês acham que eu estou brincando? Pois fiquem sabendo que na Idade Média, quando o xadrez era bastante popular, ele era usado em alegorias conhecidas como “moralidades”, que tentavam estabelecer paralelos entre a organização da vida e o jogo de xadrez. O movimento da Torre, por exemplo, era assim descrito: “A Torre representa os juízes itinerantes que
viajam por todo o reino e seu movimento é sempre reto, porque o juiz deve tratar com justiça”. É claro que no Brasil os juízes nem sempre são como essas Torres medievais. Alguém tem dúvidas quanto a isso?
Rio de Janeiro, 16 de junho de 2008
NOTAS
1) Mario Filho. O Negro no futebol brasileiro.
2) Ibidem.
3) Maria do Carmo Fernández. Futebol – Fenômeno Lingüístico.
4) Ibidem.
5) http://cgi2.uol.com.br/cgi-bin/urnavirt/urna2.cgi?urna=olim04
6) José Castello. Pelé – Os dez corações do Rei.
7) http://www.futebolamadordeminas.com/craque14.htm
Alfredo Pereira dos Santos
Vocês podem não acreditar, mas o fato é que o futebol, para se tornar o Rei dos Esportes no Brasil, teve antes que destronar o remo. A imprensa sempre se fazia presente em qualquer regatazinha, enquanto que, no futebol, a ausência de fotógrafos e repórteres era coisa normal (1).
Marcar um jogo de futebol para um dia de regata era besteira, pois o fracasso seria certo. O remo era considerado o esporte másculo por excelência. Esporte para homem. Do futebol dizia-se que “tinha uma delicadeza de balé” que, no Brasil, para muita gente, é coisa de fresco, “jogadores correndo atrás de uma bola, levantando a perna, dando saltinhos” (2).
É possível ver, em fotos tiradas no início do século passado, que o remo era, realmente, muito popular. No Rio de Janeiro não havia praia que não tivesse a turma da regata. O Flamengo foi fundado em 1895, não como clube de futebol, mas sim como clube de regatas. Aliás, essa presença do remo pode ser vista em muitos nomes de clubes pelo Brasil a fora. Para ficar só no Rio de Janeiro, além do Clube de Regatas do Flamengo, já citado, podemos mencionar Botafogo de Futebol e Regatas e Clube de Regatas Vasco da Gama.
Antes que o Charles Miller retornasse ao Brasil, com a bola de futebol e com as regras do jogo, o remo já estava aqui, trazido por alemães e italianos. Então, quem tinha tradição era o remo. E quando alguns clubes começaram a introduzir o futebol este foi objeto de oposição e protestos da turma do remo, que achavam que futebol nada tinha a ver com as origens náuticas dos clubes. A sociedade carioca não via o futebol com entusiasmo.
Por razões que a mim faltam o engenho e a arte para explicar, o futebol foi, aos poucos, tendo a sua imagem modificada, passando a ser a do futebol-força, da virilidade física dos jogadores disputando a posse da bola. E o que era considerado “passo de balé” passou a ser tratado, sobretudo pela imprensa, como “lance viril”.
Eu não sei se a crescente popularidade do futebol levou a imprensa a se interessar por ele ou se o enorme destaque que a imprensa dá ao esporte o transformou no que ele é hoje. Ou seriam as duas coisas atuando reciprocamente, interagindo entre si? Deixo essa questão a cargo dos estudiosos da sociologia do futebol – creio até que já existam estudos sobre isso – convidando os meus leitores a aventarem hipóteses sobre o tema. O que eu sei é que o futebol penetrou tanto na alma e no coração do povo brasileiro que se transformou num fenômeno lingüístico. Hoje é comum ouvir-se expressões, que tiveram origem no jogo, empregadas em contextos totalmente alheios ao futebol. Exemplos:
Pisou na bola, significando fazer coisa errada, deixar furo.
Bateu na trave, quase conseguir um objetivo.
Bola pra frente, não desistir, continuar.
Ficar fora da jogada, não ser incluído em alguma coisa.
Entrar de sola, agir agressivamente.
Tirar o time de campo, desistir, ir embora.
Ademais, expressões comuns no futebol passaram a ser usadas em novelas e em publicidade (3).
Além disso o futebol passou a ser meio de afirmação nacional, além de meio de afirmação do negro e do branco de poucas posses. De esporte, passou a ser também, meio de vida. Milhares de pessoas dependem dele.
Como se não bastasse, o futebol não só constitui a válvula de escape das camadas populares, mas também de intelectuais e homens de negócios que se apaixonam por esse esporte e estão sujeitos a uma mesma seqüência emotiva: excitação, sensação, alegria, e isso repetidas vezes (4).
Existe também no futebol uma clara conotação sexual, manifesta em expressões como “véu da noiva”, referindo-se à rede. E encontrar o caminho da rede é o grande objetivo. É na feitura do gol, conclusão do ato da posse da bola, que se manifesta a satisfação completa. É um ato de penetração. Notem a expressão “entrou com bola e tudo”.
Interessaria, pois, aos adeptos do xadrez, saber como seria possível fazer entrar o seu jogo predileto nos corações e almas dos brasileiros.
A gente sabe que existem lutas que são desiguais. De cara a gente sabe que o xadrez não tem como representar, para o povo brasileiro, o mesmo que representa o futebol. As motivações inconscientes que levam um homem a jogar xadrez não são as mesmas que o levam a jogar futebol. Enfiar uma bola numa rede é coisa bem distinta do que dar xeque-mate, que significa “Morte ao Rei”. E esse Rei pode ser perfeitamente a imagem do pai. Os pesquisadores da Clínica Tavistock, de Londres, dizem que “O xadrez é um assassinato planejado”.
Xadrez e futebol devem, pois, transitar em espaços distintos. Eles não se excluem, mutuamente. Então não seria o caso de fazer acontecer o que aconteceu com o futebol em relação ao remo, de um desbancar o outro. Naturalmente que o futebol, ao destronar o remo, não o fez por maldade. Simplesmente ocorreu o fenômeno e gente do remo está fazendo pesquisa para saber o porquê desse esporte hoje ter tão pouca divulgação no Brasil.
Numa enquête realizada (5) eles pedem as pessoas que selecionem uma das seguintes hipóteses:
1) Porque falta apoio das empresas, do governo e da mídia; sem isso, não podemos cobrar nada.
2) É um esporte elitista, que não possibilita a grande parte do público praticar.
3) É o tipo de esporte que não atrai as massas; quem é que vai querer ver uma competição dessas?
4) Porque o Brasil jamais teve um atleta de nível internacional; no dia em que isso acontecer, haverá a divulgação.
5) Quem disse que remo tem pouca divulgação no Brasil? E essa página aqui, o que é?
Mais de 60 por cento dos que responderam optaram pela primeira alternativa. O que responderiam os nosso jogadores de xadrez se fossem responder à mesma enquête, substituindo, naturalmente, remo por xadrez? Fica a sugestão da pesquisa.
Para mim o sucesso do futebol aconteceu porque ele saiu dos clubes fechados da elite e chegou ao povão. E passou a ser jogado em campos de várzea. Um pedaço de terra, dois pedaços de pau, com uma travessa por cima, fincados no chão, uma bola de meia e pronto. Foi assim que o Pelé começou. (6)
Foi dito, anteriormente, que antigamente toda praia tinha a sua turma da regata. Então seria preciso também que toda a praia e toda praça tivesse a sua turma do xadrez. Só que os enxadristas insistem em jogar em suas casas e em seus clubes fechados. Sei, de ver e ouvir dizer, que muitos pais não gostam de ver seus filhos enfurnados em salas de xadrez. Preferem-nos vê-los ao ar livre, correndo e brincando, nos parques, nas praias e nas piscinas. Que tal se colocássemos, próximo a essas, mesas de xadrez?
O primeiro grande craque brasileiro de futebol não saiu dos clubes de elite. Era filho de um alemão com uma negra. Refiro-me ao grande Arthur Friedenreich (7). Arthur era mulato e teve dificuldades para jogar nos clubes da idiota elite branca racista. Mas ele se impôs pelo seu grande talento e conquistou o seu lugar.
Desse modo, com a participação do povão, o futebol não só melhorou de nível como passou a atrair a atenção da imprensa e da sociedade em geral. Eu tenho certeza de que com o xadrez também vai ser assim. Sem o povão não tem solução. O xadrez vai ficar nessa lengalenga, nesse vai-não-vai, andando a passos de cágado (felizmente, com a reforma ortográfica, as palavras proparoxítonas vão continuar sendo acentuadas, caso contrário eu não sei como a coisa iria ficar).
Pelo exposto, seria de bom alvitre que os responsáveis pelo xadrez deixassem de tergiversações, de leguleios, de embromações e procurassem motivar os enxadristas a irem para as ruas. Xadrez na escola é bom, mas é muito mais fácil levá-lo para as praças. Ou será que se esqueceram do que disse Castro Alves: “A praça é do povo, como o céu é do condor”?
Clauzewitz disse, certa vez, que “A guerra é assunto importante demais para ficar apenas à cargo dos generais”. Parafraseando-o, eu diria que “O xadrez é importante demais para ficar apenas nas mãos daqueles que o administram”. Sinergia é fundamental e com o xadrez não seria exceção. Então é preciso que os enxadristas comecem a dar tratos à bola e botem a imaginação criadora para funcionar, para ver se as coisas mudam. Que não fiquem dependentes de dirigentes e de federações. O xadrez é maior do que tudo isso.
Por enquanto a única expressão do xadrez com trânsito na mídia é xeque-mate. Por exemplo, “A Polícia Federal deu um xeque-mate em Daniel Dantas”. No dia em que expressões como “A sua impetuosidade entrou como uma Torre na sétima fila da minha sensibilidade” forem comuns em diálogos das moças com os seus namorados eu vou começar a achar que o tempo do xadrez está chegando. Vocês acham que eu estou brincando? Pois fiquem sabendo que na Idade Média, quando o xadrez era bastante popular, ele era usado em alegorias conhecidas como “moralidades”, que tentavam estabelecer paralelos entre a organização da vida e o jogo de xadrez. O movimento da Torre, por exemplo, era assim descrito: “A Torre representa os juízes itinerantes que
viajam por todo o reino e seu movimento é sempre reto, porque o juiz deve tratar com justiça”. É claro que no Brasil os juízes nem sempre são como essas Torres medievais. Alguém tem dúvidas quanto a isso?
Rio de Janeiro, 16 de junho de 2008
NOTAS
1) Mario Filho. O Negro no futebol brasileiro.
2) Ibidem.
3) Maria do Carmo Fernández. Futebol – Fenômeno Lingüístico.
4) Ibidem.
5) http://cgi2.uol.com.br/cgi-bin/urnavirt/urna2.cgi?urna=olim04
6) José Castello. Pelé – Os dez corações do Rei.
7) http://www.futebolamadordeminas.com/craque14.htm
quarta-feira, 23 de julho de 2008
57- GANHE A APOSTILA DO GM LEITÃO!
Enviarei, por e-mail, a apostila de cálculo do GM Rafael Leitão ao primeiro sabidão que responder a esta pergunta: Quais foram os enxadristas que em suas carreiras derrotaram, ambos, Capablanca e Fischer?
Bom final de semana a todos! agora vou assistir ao "clássico" Mengão x Lusa!
Bom final de semana a todos! agora vou assistir ao "clássico" Mengão x Lusa!
terça-feira, 15 de julho de 2008
56- ENTREVISTA COM O GM RAFAEL LEITÃO

O atual nº 3 do Brasil (rating FIDE de 2590), GM Rafael Dualibe Leitão, concedeu uma entrevista, por mail, para este blog. Espero que meus estimados leitores apreciem este bate-papo!
Maia: Como foi seu processo de estudo do jogo no início de sua carreira em São Luís do Maranhão e depois com o GM Gilberto Milos em São Paulo? Quais foram os conteúdos assimilados e os métodos utilizados de estudo e treinamento? Quais foram seus pontos fortes e fracos?
Leitão: Quando morava em São Luís treinava geralmente sozinho ou com meu pai, que apesar de não ser um enxadrista forte, sabia muito bem quais as prioridades no treinamento, além de me ajudar na leitura dos livros em inglês. A prioridade do meu treinamento nessa época - e que persistiu por muito tempo - era o cálculo de variantes. Inicialmente, até atingir certo nível, resolvia principalmente combinações de um livrinho chamado "Test Your Chess IQ" e outros exercícios semelhantes. Graças a esse esforço, obtive rapidamente uma visão tática muito boa, o que era certamente o meu ponto forte. Já o trabalho com o Milos foi algo completamente diferente, pois eu já tinha força de candidato a mestre. O que fazíamos basicamente era analisar diversas posições e ver partidas, mas sem uma didática típica treinador - aluno. Éramos mais "companheiros de análise" e este é um sistema que recomendo para enxadristas aspirantes que tiverem interesse de treinar com um GM,com duas ressalvas: 1- o treinamento precisa, neste caso, ser ao vivo; 2- O aspirante precisa ser muito dedicado e ter realmente vontade de progredir. Com esse método, pulei de candidato a mestre a GM em 3 anos.
Maia: Você também dá aulas e tem uma academia de xadrez (www.academiarafaelleitao.com). Como é seu processo de avaliação do aluno/treinando antes de ministrar as aulas/treinos?
Leitão: O processo de avaliação envolve análises de posições selecionadas de meio-jogo e finais, além de algumas partidas de 15 minutos. Após algumas horas é possível diagnosticar quais são os pontos fortes e fracos do aluno, permitindo a montagem de um programa de treinamento adequado.
Maia: Teria algum conselho a dar para os jogadores que têm pouco tempo para estudar? Se não dá para aperfeiçoar todos os aspectos, o que seria prioritário? Qual habilidade/competência considera mais vital para um enxadrista de competição de força média (1800 a 2100 rating FIDE)?
Leitão: Com certeza o mais importante para enxadristas deste nível é o cálculo de variantes. É preciso dar ênfase à resolução de combinações e estudos artísticos. Curiosamente, a imensa maioria destes enxadristas comete o grave erro de dedicarem seu pouco tempo disponível à memorização de variantes de abertura e à leitura "passiva" de livros (apenas repassando as análises do autor ou mesmo pulando as páginas que contêm mais variantes). A preparação de aberturas só é realmente importante a partir de uma força de 2400+.
Maia: Fiz uma enquete no meu blog sobre o livro Mi Sistema, de Nimzowitsch (leitura recomendada pelo treinador Mark Dvoretsky). A prática em competições e os métodos de estudo e treinamento mudaram muito. Você ainda recomendaria os velhos manuais clássicos (Mi Sistema, Estratégia do Pachman, etc) como referência nos estudos de xadrez? Cite os livros que mais lhe impressionaram ao longo de seus estudos no xadrez.
Leitão: Os livros clássicos citados foram muito importantes em sua época e ainda hoje servem como referência histórica. Entretanto, os métodos de aprendizado mudaram muito com o advento da informática. Sabendo-se utilizar com a inteligência a informação gerada por bases de dados+engines, é possível desenvolver-se mais rapidamente do que lendo estas obras. Existe um livro clássico que ainda considero leitura obrigatória: Zurich 53, do Bronstein. Além deste, os livros que mais me impressionaram foram os do Dvoretsky (todos).
Maia: Como massificar o xadrez no Brasil? por que, na sua opinião, não surgem, em boa quantidade, novos jogadores talentosos por ano? Os projetos de xadrez escolar no Brasil são eficazes (atingem as metas) e eficientes (relação custo/benefício)?
Leitão: O xadrez jamais será um esporte popular ou de massa no Brasil. É uma questão cultural: não temos nenhuma identidade com o jogo, ao contrário do que acontece em outros países. Na Argentina, para não irmos longe, quase todos sabem jogar xadrez. E por quê? Pelos projetos de xadrez nas escolas? Desconheço qualquer grande ação nesse sentido. Porque já tiveram um grande jogador? Mequinho foi mais longe que Panno. É simplesmente uma questão cultural. Justamente por isso os talentos aqui são esporádicos. Poucos têm contato com o jogo e mesmo os que se destacam têm dificuldades em conseguir treinamento especializado. Em relação aos projetos de xadrez escolar, careço de informações mais detalhadas para opinar.
Maia: Conte como foi a experiência de treinar com Mark Dvoretsky.
Leitão: Ir a Moscou, a eterna capital do xadrez, e estudar com um dos mais respeitados treinadores do mundo é uma experiência fascinante para quem é apaixonado por xadrez. Como escrevi anteriormente, cresci lendo os livros do Dvoretsky. Ele era (e ainda é) um ídolo para mim. E nessas 2 semanas pude absorver um pouco do que o xadrez significa para os russos e no que consiste a famosa escola russa de xadrez. Este conhecimento me ajudou a melhorar meu jogo e também a montar programas de treinamento para meus alunos, mesmo que muitos deles - infelizmente - jamais tenham lido um livro do Dvoretsky.
Maia: Sua apostila de cálculo é excelente. Nela você aborda sobre os "lances candidatos". Esta técnica, como está nos livros (Kotov, Nunn, Tisdall, Dvoretsky), é utilizada pelos super GM´s ?
Leitão: A técnica dos lances candidatos é muito importante para o aperfeiçoamento do cálculo e é utilizada pelos GMs. Entretanto, deve-se fazer uma ressalva. Não somos robôs preparados para fazer lances candidatos automaticamente em todas as posições. Para utilizar o método eficientemente é preciso treinamento e bom senso. O que ocorre é que a maioria dos enxadristas, em posições de cálculo complexo, são imediatamente seduzidos por alguma continuação e começam a analisá-la. Até aí tudo natural e isso ocorre com os GMs também. A diferença é que os enxadristas mais fracos persistem nessa mesma continuação durante muito tempo, quando muitas vezes o que deveriam fazer é voltar à posição inicial e se perguntar se não existe uma idéia mais efetiva (lances candidatos). A melhor explicação sobre lances candidatos está no livro do Nunn (Secrets of Practical Chess). O livro do Kotov, "Pense com um Grande Mestre" é muito importante por ser a obra que introduziu este conceito, mas discordo do método "robótico" por ele sugerido e discordo mais ainda do sistema de "árvore" de análises.
Maia:Ser enxadrista profissional não é fácil. Alguma vez você pensou em parar, fazer outras coisas profissionalmente?
Leitão: Sim, já pensei nisso diversas vezes. Mas não consigo ficar muito tempo longe de um tabuleiro. Fiz faculdade de Direito por 2 anos, mas tive que interromper os estudos devido às competições. Mesmo se eu fosse advogado ou exercesse alguma outra profissão, jamais perderia o contato com o xadrez. Essa idéia de parar com o xadrez de competição passa vez ou outra pela mente de todos os profissionais (especialmente depois de uma derrota amarga ou um torneio sofrível). A realidade, porém, é que um GM adquiriu um certo nível de status e excelência no que faz e não é fácil começar alguma outra atividade do zero. Atualmente estou feliz com as atividades de jogador e treinador e não pretendo fazer outra coisa.
Maia: Quais suas metas na carreira?
Leitão: Como jogador pretendo subir meu rating e entrar na lista dos Top 100. Como treinador tenho uma meta a longo prazo, que é ajudar algum enxadrista talentoso a conseguir o título de GM.
Maia: Você vai optar por jogar as Olimpíadas ou os Jogos Abertos de SP?
Leitão: Infelizmente a coincidência de datas entre os dois eventos não me deixa outra escolha a não ser disputar os Jogos Abertos.
Maia: Este ano teremos eleições na CBX. A atual gestão foi ótima ao sanear as finanças e produzir um bom caixa, além de várias outras iniciativas muito boas. Mas uma crítica que fazem é que teve uma atenção muito acentuada nos GM´s, esquecendo um pouco da base. O que você acha destas críticas e o que você espera da próxima gestão da CBX ?
Leitão: Acho que as críticas são infundadas e que a atual gestão da CBX está desenvolvendo um trabalho excepcional. Depois de um longo período no vermelho, finalmente a CBX tem dinheiro em caixa. Quanto às críticas ao apoio dado aos GMs, cumpre dizer que esta é uma das atribuições mais importantes de um Confederação: apoiar seus melhores jogadores. Aliás, este apoio não foi dado somente a GMs, mas também a muitos outros jogadores. Espero que a próxima gestão dê continuidade a este trabalho e que não haja um retrocesso.
Maia: Na sua opinião como está o desenvolvimento do xadrez no Brasil em termos regionais? tem acompanhado o desenvolvimento de federações do norte/nordeste, como, por exemplo, a do Pará (que realizou diversos eventos) ?
Leitão: Não tenho conhecimento suficiente para opinar sobre o desenvolvimento do xadrez em outras regiões. 90% dos torneios que disputo no Brasil são realizados em São Paulo.
Maia: O jogo de xadrez é sempre citado como grande instrumento pedagógico em idade escolar, auxiliando no desenvolvimento de outras habilidades como matemática, etc. Você concorda integralmente ou acha que há uma certa superestimação ideal dos benefícios do jogo?
Leitão: Concordo integralmente com os benefícios do xadrez para crianças em idade escolar. Claro que existem exceções, como enxadristas que tenham dificuldade na escola, mas isso é extremamente raro.
Maia: Obrigado pelo papo, GM Rafael Leitão! Apesar de você ser botafoguense, sou muito seu fã!!
55-Questões de Arbitragem II
Anotação - jogador pode anotar a partida em agenda eletrônica?
Pergunta 6: Durante o torneio o jogador pode anotar a partida numa ‘palm-top’ ao invés de usar a planilha fornecida pelo organizador?
Resposta: O jogador é obrigado a anotar a partida em uma planilha de papel, tão claro e legível quanto possível, consoante o disposto no artigo 8.1 da Lei do Xadrez.
É possível que num futuro próximo a legislação seja alterada e permita que no xadrez pensado a anotação seja feita com a utilização de computadores de bolso ‘palm top’ exclusivamente para efeito de registro dos lances da partida.
"Art. 8.1 - No decorrer do jogo a cada jogador é requerido anotar na planilha prescrita para a competição, em notação algébrica (Apêndice E), os próprios lances e os do oponente, de maneira correta, lance a lance, tão claro e legível quanto possível..."
Anotação - Quando o jogador, em torneios oficiais, usa a anotação descritiva, qual deve ser a postura correta do árbitro?
Pergunta 7: A lei do xadrez dá margem a dupla interpretação ao regular a anotação das partidas; primeiro orienta que se deve anotar em notação algébrica, mas não diz que é obrigado; depois diz que só reconhece a algébrica como oficial para fins de reclamação.
O fato é que ainda existem muitos jogadores, em torneios estaduais que aprenderam a jogar e estudaram D´Agostinni, em notação descritiva. Qual a postura correta do árbitro com estes jogadores: permite que anotem em descritivo e se houver algum problema exige que transcrevam para o algébrico durante o seu tempo de reflexão? (não se incomodando caso não haja problemas) ou imediatamente percebendo alguém anotando em descritivo pede para mudar? (o que vai gerar um desconforto para uma pessoa normalmente mais idosa que raciocina em descritivo)
Resposta: Realmente, a FIDE recomenda que os jogadores anotem as partidas em notação algébrica (art. 8.1 da Lei do Xadrez). Não há proibição expressa ao uso de outro tipo de anotação, por exemplo, a anotação descritiva, que é utilizada por alguns jogadores saudosistas.
Ocorre que, se o jogador quiser requerer empate (e isso vale para qualquer reclamação em que o jogador tenha de utilizar a planilha como prova), por exemplo, por repetição de lances, o árbitro não poderá aceitar a sua planilha (com notação diferente da algébrica) como prova, tendo em vista que somente as planilhas anotadas em notação algébrica são válidas para efeito de prova (vide apêndice E da Lei do Xadrez).
De acordo com o disposto no apêndice E da Lei do Xadrez, o árbitro que observar um jogador utilizando outro sistema de notação, que não seja o algébrico, deverá alertá-lo sobre essa restrição.
Se a competição for válida para rating FIDE, o árbitro deverá exigir que o jogador entregue a planilha (ao final da partida) em anotação algébrica, uma vez a Federação Internacional reconhece, para as competições válidas para rating FIDE, apenas um sistema de notação, o sistema algébrico.
Anotação - Obrigatoriedade de anotação e o "famoso jeitinho”
Pergunta 8: Em torneio no ritmo de 1h30 para toda a partida com bônus de 30 segundos para cada lance, um jogador reclamou ao árbitro que seu adversário, que estava apurado no tempo, tinha pulado lances nas últimas anotações e além disso teria parado de anotar.
O adversário alegou que não teria tempo de corrigir, face ao exíguo tempo que lhe restava. Pode o árbitro autorizar o jogador que estava com apenas alguns segundos no relógio a pará-lo para anotar corretamente os lances. Está correta a decisão?
Resposta: O artigo 8.1 da Lei do Xadrez obriga que o jogador anote os próprios lances e os do adversário, de maneira correta, lance a lance (sem pular lance), tão claro e legível quanto possível.
Todavia, o artigo 8.4 da Lei do Xadrez faculta ao jogador que estiver apurado no tempo (exceto se receber bônus de pelo menos 30 segundos por lance) deixar de anotar.
É evidente, portanto, que o jogador não pode parar de anotar quando recebe bônus de 30 segundos (ou mais).
O árbitro extrapolou a determinação da norma quando autorizou o jogador a parar o relógio para atualizar a planilha. Trata-se do não politicamente correto 'jeitinho'.
Anotação - Proibição de anotação dos lances antes da realização no tabuleiro
Pergunta 9: Vi que a última alteração nas regras da FIDE incluiu a proibição de anotação dos lances na planilha antes da realização do lance no tabuleiro. Esta é uma reivindicação antiga de alguns jogadores que diziam que a prática era pouco recomendável ou até antiética. Confesso que nunca entendi o motivo destas reclamações; nunca vi nenhum mal em se anotar os lances com antecedência.
Considerando que agora virou regra oficial gostaria de entender a motivação desta proibição?
Resposta: Embora seja uma regra – à primeira vista – antipática, acredito que Comitê de Arbitragem da FIDE tenha proibido a anotação do lance antes de o jogador executá-lo no tabuleiro em função de muitas reclamações. A anotação prévia do lance do lance servia de desculpas para práticas nada recomendáveis, tais como:
a) alguns jogadores costumam anotar o lance ‘errado’ e deixar à vista do oponente com a intenção de quebra da concentração; depois de alguns minutos, risca o lance e escreve outro, criando típica situação de ‘guerra de nervos’.
b) nos apuros de tempo, o jogador anota o lance (e às vezes carreiras de lances forçadas, ou não) antes de jogar e, com isso, ‘leva vantagem’ porque pode responder imediatamente ao lance, ou seqüência de lances.
Conclusão: A obrigatoriedade de o jogador anotar o lance depois de efetuado no tabuleiro, sem dúvida, irá facilitar o trabalho da arbitragem, sobretudo nos apuros de tempo.
A propósito, abaixo, está a redação do artigo que proíbe a anotação prévia de lances (A regra tem exceção)
”Art. 8.1 - ... É proibido anotar previamente o lance, exceto se o jogador estiver reivindicando empate na forma dos artigos 9.2 ou 9.3...” (casos de reivindicação de empate por repetição de jogadas e dos 50 lances ... sem capturas ou movimento de peão)
Anúncio de Xeque- Obrigatório ou Facultativo?
Pergunta 10: É obrigatório ou facultativo o anúncio do xeque? Resposta: Não existe obrigatoriedade de avisar-se um xeque. A lei é omissa com relação a esse assunto. Não existe também punição para o jogador que avise um xeque desde que o faça no seu próprio tempo e de maneira discreta.
Em partidas no ritmo de xadrez pensado, alguns jogadores costumam avisar quando ocorre o xeque. Nos últimos anos, raramente há avisos de xeque. No xadrez rápido e no xadrez relâmpago, por motivos óbvios, ninguém costuma anunciar xeque.
Apuro de tempo - Jogador não apurado pode deixar de anotar?
Pergunta 11: No final de uma partida (no ritmo de mais de uma hora para cada) o jogador A (brancas) tem, por exemplo, mais de 15 minutos e seu adversário dispõe de menos de 5 minutos (apurado) para executar todos os seus lances. As brancas fazem 2 lances 31º e 32º rapidamente, em resposta ao adversário, e somente depois disso anotam as duas carreiras de lances. Deve o árbitro intervir?Resposta: A conduta do jogador de efetuar um lance sem que tenha anotado o seu anterior implica em transgressão da regra estabelecida no art. 8.1 da Lei do Xadrez.
O árbitro deve penalizá-lo observando o elenco de punições previstas no art. 13.4 da Lei do Xadrez.
Vale lembrar que o grau da penalidade a ser aplicada vai depender da quantidade de tempo que o jogador apurado dispuser. Se, por exemplo, estiver muito apurado será inócua a aplicação de uma simples advertência. Assim, caso a caso, o árbitro deve valer-se do bom senso para aplicar a penalidade mais adequada à situação enfrentada de modo a não cometer injustiça.
"Art. 8.1 - O jogador pode responder a um lance do oponente antes de anotá-lo, se assim o desejar.
Todavia não pode executar um lance se deixou de anotar o seu lance anterior..."
"Art. 13.4 - O árbitro pode aplicar uma ou mais das seguintes penalidades:
a) advertência;
b) aumentar o tempo remanescente do oponente;
c) reduzir o tempo remanescente do jogador infrator;
d)declarar a perda da partida;
e) reduzir os pontos ganhos na partida pelo jogador infrator;
f)aumentar os pontos ganhos na partida pelo oponente até o máximo possível para aquela partida;g) expulsão do evento".
Apuro de tempo - Jogador apurado que volta a ter mais de 5 minutos em seu relógio ficará obrigado a anotar novamente?
Pergunta 12: Supondo uma partida com ritmo superior a 1 hora para cada jogador, o jogador "A" entra nos últimos 5 minutos e para de anotar seus lances, enquanto o jogador "B" tem mais de 5 minutos ainda. Após uns 10 lances, o jogador "A" está com 4 minutos e o jogador "B", ainda não apurado, realiza um lance impossível, que é punido com o acréscimo de 2 minutos para "A". Pergunta: "A" deverá voltar a anotar, já que estará novamente com mais de 5 minutos (mais precisamente seis, no presente exemplo)?
Resposta: À primeira vista pareceria óbvio que o jogador deveria voltar a anotar.
Todavia, analisando com mais acuidade a questão, nota-se que o legislador estabeleceu no art. 7.4 “b”, que é considerado ‘extra’ o tempo outorgado à parte prejudicada. Tratando-se de “tempo extra” concedido a título de punição, em virtude da falta praticada pelo adversário, é claro, que não poderá ser considerado parte integrante do tempo principal que os jogadores recebem no início da partida.
Exemplificando: Se os jogadores dispuserem de 2 horas para 40 lances + 1 hora nocaute, o tempo principal outorgado a cada jogador é de 3 horas.
Conseqüentemente, é considerado tempo "extra" o que for concedido pelo árbitro, no decorrer da partida.
Conclusão: É claro que o jogador continuaria "apurado" e a anotação, no caso, seria facultativa, não podendo o árbitro obrigá-lo a anotar novamente.
"Art. 8.4 da Lei do Xadrez: Quando o jogador tiver menos de cinco minutos em seu relógio (e não recebe bônus de 30 segundos ou mais após cada lance) ele não é obrigado a atender aos requisitos do Artigo 8.1. Imediatamente após a queda de uma das ‘setas’ o jogador deve atualizar a sua planilha antes de mover uma peça no tabuleiro".
"Art. 7.4 “b” - Após a adoção das ações descritas na alínea "a" do Artigo 7.4, para os dois primeiros lances ilegais feitos por um jogador, o árbitro deverá dar dois minutos extras (grifo nosso) ao oponente, a cada instância; para o terceiro lance ilegal efetuado pelo mesmo jogador, o árbitro deverá declarar a partida perdida para este jogador".
Pergunta 6: Durante o torneio o jogador pode anotar a partida numa ‘palm-top’ ao invés de usar a planilha fornecida pelo organizador?
Resposta: O jogador é obrigado a anotar a partida em uma planilha de papel, tão claro e legível quanto possível, consoante o disposto no artigo 8.1 da Lei do Xadrez.
É possível que num futuro próximo a legislação seja alterada e permita que no xadrez pensado a anotação seja feita com a utilização de computadores de bolso ‘palm top’ exclusivamente para efeito de registro dos lances da partida.
"Art. 8.1 - No decorrer do jogo a cada jogador é requerido anotar na planilha prescrita para a competição, em notação algébrica (Apêndice E), os próprios lances e os do oponente, de maneira correta, lance a lance, tão claro e legível quanto possível..."
Anotação - Quando o jogador, em torneios oficiais, usa a anotação descritiva, qual deve ser a postura correta do árbitro?
Pergunta 7: A lei do xadrez dá margem a dupla interpretação ao regular a anotação das partidas; primeiro orienta que se deve anotar em notação algébrica, mas não diz que é obrigado; depois diz que só reconhece a algébrica como oficial para fins de reclamação.
O fato é que ainda existem muitos jogadores, em torneios estaduais que aprenderam a jogar e estudaram D´Agostinni, em notação descritiva. Qual a postura correta do árbitro com estes jogadores: permite que anotem em descritivo e se houver algum problema exige que transcrevam para o algébrico durante o seu tempo de reflexão? (não se incomodando caso não haja problemas) ou imediatamente percebendo alguém anotando em descritivo pede para mudar? (o que vai gerar um desconforto para uma pessoa normalmente mais idosa que raciocina em descritivo)
Resposta: Realmente, a FIDE recomenda que os jogadores anotem as partidas em notação algébrica (art. 8.1 da Lei do Xadrez). Não há proibição expressa ao uso de outro tipo de anotação, por exemplo, a anotação descritiva, que é utilizada por alguns jogadores saudosistas.
Ocorre que, se o jogador quiser requerer empate (e isso vale para qualquer reclamação em que o jogador tenha de utilizar a planilha como prova), por exemplo, por repetição de lances, o árbitro não poderá aceitar a sua planilha (com notação diferente da algébrica) como prova, tendo em vista que somente as planilhas anotadas em notação algébrica são válidas para efeito de prova (vide apêndice E da Lei do Xadrez).
De acordo com o disposto no apêndice E da Lei do Xadrez, o árbitro que observar um jogador utilizando outro sistema de notação, que não seja o algébrico, deverá alertá-lo sobre essa restrição.
Se a competição for válida para rating FIDE, o árbitro deverá exigir que o jogador entregue a planilha (ao final da partida) em anotação algébrica, uma vez a Federação Internacional reconhece, para as competições válidas para rating FIDE, apenas um sistema de notação, o sistema algébrico.
Anotação - Obrigatoriedade de anotação e o "famoso jeitinho”
Pergunta 8: Em torneio no ritmo de 1h30 para toda a partida com bônus de 30 segundos para cada lance, um jogador reclamou ao árbitro que seu adversário, que estava apurado no tempo, tinha pulado lances nas últimas anotações e além disso teria parado de anotar.
O adversário alegou que não teria tempo de corrigir, face ao exíguo tempo que lhe restava. Pode o árbitro autorizar o jogador que estava com apenas alguns segundos no relógio a pará-lo para anotar corretamente os lances. Está correta a decisão?
Resposta: O artigo 8.1 da Lei do Xadrez obriga que o jogador anote os próprios lances e os do adversário, de maneira correta, lance a lance (sem pular lance), tão claro e legível quanto possível.
Todavia, o artigo 8.4 da Lei do Xadrez faculta ao jogador que estiver apurado no tempo (exceto se receber bônus de pelo menos 30 segundos por lance) deixar de anotar.
É evidente, portanto, que o jogador não pode parar de anotar quando recebe bônus de 30 segundos (ou mais).
O árbitro extrapolou a determinação da norma quando autorizou o jogador a parar o relógio para atualizar a planilha. Trata-se do não politicamente correto 'jeitinho'.
Anotação - Proibição de anotação dos lances antes da realização no tabuleiro
Pergunta 9: Vi que a última alteração nas regras da FIDE incluiu a proibição de anotação dos lances na planilha antes da realização do lance no tabuleiro. Esta é uma reivindicação antiga de alguns jogadores que diziam que a prática era pouco recomendável ou até antiética. Confesso que nunca entendi o motivo destas reclamações; nunca vi nenhum mal em se anotar os lances com antecedência.
Considerando que agora virou regra oficial gostaria de entender a motivação desta proibição?
Resposta: Embora seja uma regra – à primeira vista – antipática, acredito que Comitê de Arbitragem da FIDE tenha proibido a anotação do lance antes de o jogador executá-lo no tabuleiro em função de muitas reclamações. A anotação prévia do lance do lance servia de desculpas para práticas nada recomendáveis, tais como:
a) alguns jogadores costumam anotar o lance ‘errado’ e deixar à vista do oponente com a intenção de quebra da concentração; depois de alguns minutos, risca o lance e escreve outro, criando típica situação de ‘guerra de nervos’.
b) nos apuros de tempo, o jogador anota o lance (e às vezes carreiras de lances forçadas, ou não) antes de jogar e, com isso, ‘leva vantagem’ porque pode responder imediatamente ao lance, ou seqüência de lances.
Conclusão: A obrigatoriedade de o jogador anotar o lance depois de efetuado no tabuleiro, sem dúvida, irá facilitar o trabalho da arbitragem, sobretudo nos apuros de tempo.
A propósito, abaixo, está a redação do artigo que proíbe a anotação prévia de lances (A regra tem exceção)
”Art. 8.1 - ... É proibido anotar previamente o lance, exceto se o jogador estiver reivindicando empate na forma dos artigos 9.2 ou 9.3...” (casos de reivindicação de empate por repetição de jogadas e dos 50 lances ... sem capturas ou movimento de peão)
Anúncio de Xeque- Obrigatório ou Facultativo?
Pergunta 10: É obrigatório ou facultativo o anúncio do xeque? Resposta: Não existe obrigatoriedade de avisar-se um xeque. A lei é omissa com relação a esse assunto. Não existe também punição para o jogador que avise um xeque desde que o faça no seu próprio tempo e de maneira discreta.
Em partidas no ritmo de xadrez pensado, alguns jogadores costumam avisar quando ocorre o xeque. Nos últimos anos, raramente há avisos de xeque. No xadrez rápido e no xadrez relâmpago, por motivos óbvios, ninguém costuma anunciar xeque.
Apuro de tempo - Jogador não apurado pode deixar de anotar?
Pergunta 11: No final de uma partida (no ritmo de mais de uma hora para cada) o jogador A (brancas) tem, por exemplo, mais de 15 minutos e seu adversário dispõe de menos de 5 minutos (apurado) para executar todos os seus lances. As brancas fazem 2 lances 31º e 32º rapidamente, em resposta ao adversário, e somente depois disso anotam as duas carreiras de lances. Deve o árbitro intervir?Resposta: A conduta do jogador de efetuar um lance sem que tenha anotado o seu anterior implica em transgressão da regra estabelecida no art. 8.1 da Lei do Xadrez.
O árbitro deve penalizá-lo observando o elenco de punições previstas no art. 13.4 da Lei do Xadrez.
Vale lembrar que o grau da penalidade a ser aplicada vai depender da quantidade de tempo que o jogador apurado dispuser. Se, por exemplo, estiver muito apurado será inócua a aplicação de uma simples advertência. Assim, caso a caso, o árbitro deve valer-se do bom senso para aplicar a penalidade mais adequada à situação enfrentada de modo a não cometer injustiça.
"Art. 8.1 - O jogador pode responder a um lance do oponente antes de anotá-lo, se assim o desejar.
Todavia não pode executar um lance se deixou de anotar o seu lance anterior..."
"Art. 13.4 - O árbitro pode aplicar uma ou mais das seguintes penalidades:
a) advertência;
b) aumentar o tempo remanescente do oponente;
c) reduzir o tempo remanescente do jogador infrator;
d)declarar a perda da partida;
e) reduzir os pontos ganhos na partida pelo jogador infrator;
f)aumentar os pontos ganhos na partida pelo oponente até o máximo possível para aquela partida;g) expulsão do evento".
Apuro de tempo - Jogador apurado que volta a ter mais de 5 minutos em seu relógio ficará obrigado a anotar novamente?
Pergunta 12: Supondo uma partida com ritmo superior a 1 hora para cada jogador, o jogador "A" entra nos últimos 5 minutos e para de anotar seus lances, enquanto o jogador "B" tem mais de 5 minutos ainda. Após uns 10 lances, o jogador "A" está com 4 minutos e o jogador "B", ainda não apurado, realiza um lance impossível, que é punido com o acréscimo de 2 minutos para "A". Pergunta: "A" deverá voltar a anotar, já que estará novamente com mais de 5 minutos (mais precisamente seis, no presente exemplo)?
Resposta: À primeira vista pareceria óbvio que o jogador deveria voltar a anotar.
Todavia, analisando com mais acuidade a questão, nota-se que o legislador estabeleceu no art. 7.4 “b”, que é considerado ‘extra’ o tempo outorgado à parte prejudicada. Tratando-se de “tempo extra” concedido a título de punição, em virtude da falta praticada pelo adversário, é claro, que não poderá ser considerado parte integrante do tempo principal que os jogadores recebem no início da partida.
Exemplificando: Se os jogadores dispuserem de 2 horas para 40 lances + 1 hora nocaute, o tempo principal outorgado a cada jogador é de 3 horas.
Conseqüentemente, é considerado tempo "extra" o que for concedido pelo árbitro, no decorrer da partida.
Conclusão: É claro que o jogador continuaria "apurado" e a anotação, no caso, seria facultativa, não podendo o árbitro obrigá-lo a anotar novamente.
"Art. 8.4 da Lei do Xadrez: Quando o jogador tiver menos de cinco minutos em seu relógio (e não recebe bônus de 30 segundos ou mais após cada lance) ele não é obrigado a atender aos requisitos do Artigo 8.1. Imediatamente após a queda de uma das ‘setas’ o jogador deve atualizar a sua planilha antes de mover uma peça no tabuleiro".
"Art. 7.4 “b” - Após a adoção das ações descritas na alínea "a" do Artigo 7.4, para os dois primeiros lances ilegais feitos por um jogador, o árbitro deverá dar dois minutos extras (grifo nosso) ao oponente, a cada instância; para o terceiro lance ilegal efetuado pelo mesmo jogador, o árbitro deverá declarar a partida perdida para este jogador".
Assinar:
Postagens (Atom)