QUERIDA VICENTINA!
Aos 100 anos de idade, uma moradora de Itanhaém, no litoral de São
Paulo, é praticamente uma mestre no xadrez. Ela participa de campeonatos
regionais e torneios em todo o Estado de São Paulo e conta que o jogo
lhe dá mais disposição para continuar vivendo.
Natural de São
Paulo, Vicentina Silva Iglesias foi registrada no dia 24 de setembro de
1914, um pouco mais de um ano após o seu nascimento. Criada por pais
adotivos, ela viveu boa parte de sua vida em São Paulo e, quando tinha
cerca de 54 anos, conheceu o xadrez. “Meu marido que me ensinou. Depois
ele perdeu para mim e não jogou mais”, conta.
O esposo de
Vicentina morreu em 2007, mas deixou os ensinamentos do xadrez. Nessa
época, a cuidadora Valdinete da Silva Almeida, conhecida apenas como
‘Val’, já morava com o casal e procurou alguma forma de amenizar o
sofrimento de Vicentina com a perda do marido. “Fui procurar alguma
coisa para ela fazer e achei um professor de xadrez”, explica ela.
Vicentina passou a ter aulas toda a semana do seu jogo preferido. O
empenho da viúva surpreendeu a todos e ela foi inscrita em vários
torneios regionais.
Dona
Vicentina começou a rodar todo o Estado de São Paulo para participar
das competições e se tornou uma colecionadora de títulos. “Eu ia até
para o interior e ganhava”, conta. E Val sempre estava junto
acompanhando os jogos de Vicentina, que aceitava qualquer adversário,
independente da idade. “As vezes tinha 2 mil pessoas inscritas e, no
meio deles, ela era a mais idosa”, fala Val.
Além da mesa de
xadrez, a sala de estar da casa de Dona Vicentina tem um lugar especial.
O “Cantinho do Xadrez” reúne mais de 15 medalhas e os troféus que a
enxadrista ganhou em torneios regionais e em Jogos dos Idosos,
realizados em várias partes do Estado. O último que ela ganhou foi em
abril deste ano, nos Jogos Regionais do Idoso.
Para Dona
Vicentina, o xadrez não tem idade. O jogo exige concentração e prática
mas, segundo ela, não tem segredo. “Xadrez não tem técnica. Tudo depende
do tempo que você joga e da prática”, afirma. Por isso, ela quer passar
a sabedoria no jogo para os mais novos. Vicentina ensina os filhos de
Val desde pequenos a jogarem xadrez. “A Vitoria tinha três anos quando
ela começou a ensiná-la”, conta Val. Igor, de 16, é um dos adversários
frequentes de Vicentina. “Ele é esperto. Ainda estou dando uma ‘surra’
nele mas vai ser fácil ele ganhar nos campeonatos”, fala Dona Vicentina,
sempre sorridente.
Mesmo com tanta prática e títulos, ela
continua treinando para outros campeonatos. Val conta que sempre
inscreve Vicentina nas competições para ela não parar de jogar e manter a
mente ativa. Além disso, pelo menos uma vez por semana, um colega que
conheceu por meio do xadrez, vai até a casa dela para algumas partidas.
Mas, se houver um adversário todos os dias, ela está pronta para ganhar
mais uma vez. “Quando aparece um voluntário, eu jogo com qualquer um. Eu
adoro xadrez. Se eu puder jogo todo o dia”, diz a centenária.
FONTE: http://www.tabuleirodexadrez.com.br/noticias-de-xadrez.htm