quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

1337- NEM SEMPRE É TABLAS!

Hoje em dia ficamos maravilhados das “magias” de Carlsen e Aronian que vencem posições onde as tablas pareciam inevitáveis.
Nesta segunda coluna, convido os leitores alexanos de todas as forças de jogo a encontrarem (sem engines, por favor!) os planos de jogo vencedores que titãs do xadrez soviético, Botvinnik e Averbakh descobriram nos finais mais empatativos que existem: o de bispos de cores opostas.

tabuleiro1

Kotov x Botvinnik, Moscou, 1955. Pretas jogam.


tabuleiro2

Makarichev x Averbakh, Lvov 1973. Pretas jogam.

Extraído de minha coluna do blog da ALEX: www.alex.org.br

5 comentários:

Alberto Mascarenhas disse...

Amigo Maia(kowsky)

Tenho estudado meu chapa! (e como isso me dá prazer...) e posso dizer;aconselhar que o lugar comum desses finais de bispos de cores opostas é a geração de peões passados (mais de um naturalmente) o mais distantes possível um do outro, gerando sobrecarga (overloaded pieces) nas peças do oponente. Material (peões) é o que menos conta.

Os dois diagramas que você publicou hoje retratam absolutamente bem esses conceitos, sendo o segundo muito mais difícil de resolver.

No primeiro, matei direto, aplicando no ato o conceito de geração de peões passados distantes 1...g5 vem naturalmente, pois se as brancas tomam de peão h, o peão h das negra vira peão passado distante e se tomam de peão f o rei negro encosta e toma o peão de h (g5 branco impede agora a defesa com o bispo!). Aí é mole, as brancas não têm como deter um dos dois passados criados pelas negras.

No segundo levei mais tempo mas cheguei perto, pois sabia que o rei negro tinha de entrar na ala do rei e apoiar a geração de um passado (mesmo que implicasse em sacrifício de peões. material nesses finais é o que menos importa, lembrar sempre... Tá escrito nos clássicos, e sim mobilidade de peças (o bispo) e a defesa plena das casas de sua cor ou casas chave de passaem - neste caso e3.

O que eu não consegui ver (e é mais um detalhe aprendido...) foi a estrutura de peões das negras que forçasse a geração de um passado a qualquer preço (lembrar => gerar peões passados bem distantes um do outro é o básico para explorar PEÇAS SOBRECARREGADAS nesse tipo de final).

Mas sabe de uma coisa... Resolver/estudar apenas os finais foi pouco prá mim... Gosto de ver as partidas completas para entender o somatório de pequenos erros que conduziram à posição resolvida por um dos lados.

Seguem no post seguinte (restrição de tamanho), caso você não as possua.

Um abraço,
Mascarenhas

Alberto Mascarenhas disse...

Amigo Maia(kowsky)

2a. parte! Em seguida a 3a. parte, pelo tamanho!


A segunda partida é muito instrutiva. Ver o tático no lance 22 (as brancas não viram nada... Se não tivessem tirado o B de d3 na jogada 22 nada rolava) e mais ainda não jogarem 24.Tee2 que daria muito mais resistência.

A mágica desse final é perceber que o Averback visualizou a posição fundamental a ser atingida (baseada na SOBRECARGA do B branco (defende o avanço do peão em c3 e atua defendendo algo na ala do rei) e do rei (defende o avanço de c2 e é o principal defensor de g2 e único defensor da casa de entrada e3) a posição á qual me refiro é a posição de peões na ala do rei antes do lance 57... g4! (aqui é mole! Basta aplicar o conceito diretamente aplicado na posição do outro diagrama do seu texto.

Geração de um passado distante do outro passado distante em c3 e a qq. custo). Reparar que o peão de c7 nem precisava existir....

Essas posições chave é que devemos armazenar em nosso portfólio para aplicar na prática. O que ele teve de resolver foi como atingi-la, entendeu?

Os detalhes do ...Bg1+ e do avanço ...f5 vieram a reboque (repare o olé das negras ameaçando entrarem na casa chave de passagem e3. De novo, SOBRECARGA!).

Mas reflitamos, ele já tinha visualizado a estrutura fundamental (R negro em g3 peões negros em f4, g5, g4 contra peões brancos em f3, g2, h3) para gerar um passado de alguma forma (mandando g4!, com criaçãod e um passado, o peão de f4 após cair f3, ou o de h4 após cair o de h3, conforme a tomada das brancas em g4) e a sobrecarga sobre e3 (casa de passagem para chegar e apoiar c3-c2).

Outro lugar comum é o lado perdedor jogar para empatar... sem nenhuma criatividade. Quem jogar com essa premissa leva chumbo na maioria das vezes.

Um abraço,
Mascarenhas

Alberto Mascarenhas disse...

Amigo Maia(kowsky)

3a. parte e última parte!



[Event "URS-ch22"]
[Site "Moscow"]
[Date "1955.02.19"]
[Round "6"]
[White "Kotov, Alexander"]
[Black "Botvinnik, Mikhail"]
[Result "0-1"]
[ECO "D45"]
[PlyCount "130"]
[EventDate "1955.02.11"]
[EventType "tourn"]
[EventRounds "19"]
[EventCountry "URS"]
[Source "ChessBase"]
[SourceDate "1999.07.01"]

1. d4 d5 2. c4 c6 3. Nc3 Nf6 4. Nf3 e6 5. e3 Nbd7 6. Bd3 Bb4 7. O-O O-O 8. Bd2
Bd6 9. b3 Qe7 10. Qc2 e5 11. cxd5 cxd5 12. dxe5 Nxe5 13. Nd4 Nxd3 14. Qxd3 Qe5
15. f4 Qe7 16. Rac1 Rd8 17. Rc2 Bc5 18. Na4 Bxd4 19. Qxd4 Bf5 20. Bb4 Qd7 21.
Rc3 Ne4 22. Rcc1 b6 23. Rfd1 f6 24. Nc3 Nxc3 25. Rxc3 Be4 26. Qd2 Qg4 27. h3
Qg6 28. Qf2 h5 29. Kh2 a5 30. Ba3 b5 31. Bc5 b4 32. Rcc1 Rdc8 33. Bd4 Bc2 34.
Rd2 Be4 35. Rdd1 Qf5 36. Qe2 Qg6 37. Qf2 a4 38. Rxc8+ Rxc8 39. bxa4 Qe8 40. Rd2
Qxa4 41. Qh4 Rc2 42. Rxc2 Qxc2 43. Qg3 Qxa2 44. Bxf6 Qxg2+ 45. Qxg2 Bxg2 46.
Bd4 Be4 47. Kg3 Kf7 48. h4 g6 49. Kf2 Ke6 50. Ke2 Kf5 51. Kd2 Kg4 52. Bf6 Kg3
53. Be7 Kh3 54. Bf6 Kg4 55. Be7 Bf5 56. Bf6 Kf3 57. Be7 b3 58. Kc3 Be6 59. Bc5
g5 60. fxg5 d4+ 61. exd4 Kg3 62. Ba3 Kxh4 63. Kd3 Kxg5 64. Ke4 h4 65. Kf3 Bd5+
0-1


[Event "URS-ch sf"]
[Site "Lvov"]
[Date "1973.??.??"]
[Round "?"]
[White "Makarichev, Sergey"]
[Black "Averbakh, Yuri L"]
[Result "0-1"]
[ECO "C44"]
[PlyCount "128"]
[EventDate "1973.??.??"]
[EventType "tourn"]
[EventRounds "15"]
[EventCountry "URS"]
[Source "ChessBase"]
[SourceDate "2000.11.22"]

1. e4 e5 2. Nf3 Nc6 3. c3 Nf6 4. d4 d6 5. Bb5 Bd7 6. Nbd2 Be7 7. Qe2 exd4 8.
Nxd4 O-O 9. O-O Re8 10. Nxc6 bxc6 11. Bd3 Bf8 12. Re1 g6 13. Qf3 Bg7 14. h3 Rb8
15. Re2 c5 16. Nc4 Bc6 17. Bg5 h6 18. Bxf6 Qxf6 19. Qxf6 Bxf6 20. Na5 Ba8 21.
Rae1 Kf8 22. Bc4 Rxb2 23. Rxb2 Bxc3 24. Reb1 Bxe4 25. Nb3 a5 26. f3 Bxb1 27.
Rxb1 a4 28. Nc1 Re1+ 29. Kf2 Ke7 30. Bd3 d5 31. Ne2 Rxb1 32. Bxb1 Bb2 33. a3
Kd6 34. Bc2 Bxa3 35. Nc3 Bb2 36. Nxd5 Kxd5 37. Bxa4 g5 38. Be8 f6 39. Bg6 Kd4
40. Ke2 Bc1 41. Bf5 c4 42. Kd1 Bf4 43. Ke2 Bg3 44. Bg6 c3 45. Bf5 Ke5 46. Bc2
Kf4 47. Bb1 Bh2 48. Kf2 Bg1+ 49. Ke2 Kg3 50. Kf1 Bf2 51. Bc2 f5 52. Bb1 f4 53.
Bg6 Be3 54. Bc2 h5 55. Bf5 c5 56. Bg6 h4 57. Bf5 g4 58. hxg4 h3 59. gxh3 Kxf3
60. g5 Kg3 61. g6 Bd4 62. h4 f3 63. h5 Bg7 64. Ke1 f2+ 0-1

Um abraço,
Mascarenhas

Maiakowsky, um blog que tem até xadrez!! disse...

Obrigado pela excelente aula, amigo Mascarenhas!

Alberto Mascarenhas disse...

Amigo Maia,

por acaso, aconteceu ONTEM uma partida entre GMs na Inglaterra justamente com essas ideias em final de Bispos de cores opostas.

Recomendo que seus leitores reproduzam-na, para fixar ainda mais os conceitos que procurei compartilhar.

Repare a simplicidade do ganho quando se entende o que deve ser feito.

(no caso, formação peões passados bem distantes um do outro! Short não perdoou! 45.h4! na partida abaixo sintetiza tudo que abordei nesses posts)


[Event "20th Bunratty Masters"]
[Site "Bunratty IRL"]
[Date "2013.03.02"]
[Round "2.3"]
[White "Short, P."]
[Black "Baburin, A."]
[Result "1-0"]
[ECO "D46"]
[WhiteElo "2260"]
[BlackElo "2534"]
[PlyCount "91"]
[EventDate "2013.03.01"]

1. d4 d5 2. Nf3 Nf6 3. c4 e6 4. Nc3 c6 5. e3 Nbd7 6. Bd3 Bd6 7. O-O O-O 8. e4
dxc4 9. Bxc4 e5 10. Bg5 Qe7 11. d5 Nb6 12. Bb3 Bg4 13. h3 Bh5 14. g4 Bg6 15.
Nh4 cxd5 16. Nxd5 Nbxd5 17. Bxd5 Qd8 18. Qb3 Be7 19. Bxf6 Bxf6 20. Nxg6 hxg6
21. Qxb7 Rb8 22. Qxa7 Rxb2 23. Rab1 Rxb1 24. Rxb1 Bh4 25. Rb7 Qf6 26. Kg2 Kh7
27. Rxf7 Rxf7 28. Bxf7 Qe7 29. Qxe7 Bxe7 30. Kf3 g5 31. Ke3 Ba3 32. Kd3 g6 33.
Kc4 Kg7 34. Be8 Kf6 35. Kd5 Bb2 36. a4 Bc3 37. f3 Be1 38. Kc6 Bd2 39. Kb5 Ke7
40. Bxg6 Kd6 41. a5 Be3 42. Bf5 Kc7 43. a6 Bf2 44. Kc4 Kd6 45. h4 gxh4 46. g5
1-0


Abraço,
Mascarenhas