domingo, 20 de dezembro de 2009

480- Assembléia Natalina


Ouvi na ALEX que o Império marcou sua Assembléia "Ordinária", que tratará primordialmente da Prestação de Contas do Exercício de 2008(!!!), para 28 de dezembro próximo!!
A intempestividade é mais um indício cabal do quão atrapalhada é a "gestão" do Império nos últimos anos.
Quanto à Assembléia, já vi o filme: é dado um calhamaço de papéis e após, digamos, uns dez minutos, o Imperador brada a altos pulmões (com ou sem soquinhos na mesa): "Vamos votar, pessoal!" Os cortesãos "aprovam" as contas sem a mínima análise. Dever cumprido para eles, uns raros inocentes e a maioria que pensa que apoiar o Império significa se dar bem.
Até onde iremos chegar? é a pergunta que sempre faço. Será que os agentes responsáveis legalmente pela mudança ou manutenção do "status-quo" não percebem o fim do poço a que já chegamos? que o Rio de Janeiro em vez de ser o benchmark no país, é ultrapassado por, no mínimo, oito entidades federativas ?
A estratégia desenvolvimentista do Império é nenhuma e suas ações são calcadas no marketing, basta ver o sítio oficial. Lá é realçado o "investimento" feito no circuito chamado "Regionais do Interior". A idéia motriz da empreitada é ótima, qual seja, obviamente desenvolver a produção enxadrística no interior do Estado. Porém, na minha opinião, não é eficaz (objetivos e metas não atingidos) nem eficiente (considerando o montante investido, independentemente da fonte dos recursos). Então, até o Eremildo, do Elio Gaspari, sabe que no final das contas este Circuito acaba objetivando apenas a garantia de mais um votinho para a manutenção do Império. Por isso e outras coisas estamos sendo ultrapassados em organização, gestão e patrimônio por entidades federativas cujos PIB estaduais estão rankeados muito abaixo de nós.
O Imperador fez muitas coisas boas, eu seria extremamente injusto se negasse este fato. Mas com certeza ele deve estar cansado. É empresário bem sucedido no ramo dele, ótimo pai (tem um filho de uma riqueza intelectual admirável), enfim, um cara bonachão. Mas virou Imperador.....de um Império que se desgasta a cada ano, que aumenta gradualmente o coro de insatisfeitos, enfim, que está apagando da memória os bons feitos. Não se dá conta de que deve seguir sua cidadania sem a necessidade de apresentar um cartão de Imperador da Federação.
Sim, o Imperador deve estar cansado. Mas na sua mente napoleônica deve pensar: "a quem deixarei meu legado?" "deixarei ao Talleyrand (político hábil de exterior afável)?" ou "tenho que impedir que meu inimigo-mor (e sua cria política) tome o poder". Pensamentos de prepotência napoleônica!
Até que procedem as elocubrações napoleônicas! um político hábil como Talleyrand é o primeiro a querer deixar o barco quando as coisas vão mal, além do que sempre habilmente elege um burro de carga para trabalhar efetivamente mas ele mesmo aparece quando há holofotes! por outro lado, não se pode reduzir o futuro da gestão do xadrez do Estado a uma briga política entre dois caciques inimigos, devidamente representados por suas crias políticas. Não, não podemos nos resumir à briga entre o 6 e o 12/2!
Infelizmente, sou muito cético em relação ao futuro do xadrez em nosso amado Estado do RJ. Tenho meus "reacionarismos" em relação a alguns conceitos: a)Primeiro, não creio (NO ATUAL CONTEXTO, NÃO É UM PRÉ-CONCEITO CONSOLIDADO) em gestão federativa cujos agentes tenham o xadrez como atividade de subsistência individual, do ponto de vista econômico. b) Segundo, o modelo de receitas da Federação é uma piada. A anuidade dos clubes só serve para manipulações políticas. Nada dará certo se não for implementada a contribuição anual de cada enxadrista registrado. Isto resultará em maiores cobranças por resultados, transparência,etc. c) desenvolvimento do xadrez deve ser pensado de forma global mas com estratégias (já houve alguma estratégia central, pensada, discutida?) regionais. Por exemplo, se houver um trabalho bom no município de Campos dos Goytacazes, deve ser incentivada a discussão para tentar irradiar os efeitos desse bom trabalho nos municípios vizinhos (São Francisco de Itabapoana, São João da Barra, Quissamã, São Fidélis,etc.), ou seja, Campos seria um dos vários pólos no processo estratégico de desenvolvimento do xadrez no Estado do RJ.
Enfim, com mentalidade de Gestão, organizada, aglutinadora, tem muito que se pensar, discutir. Mas não conseguimos sair do ranço da competição política bi-polarizada ("briga de coronéis") e dos conflitos de interesses oriundos da sustentação econômica individual pela atividade enxadrística.
Teria mais a escrever, mas ficará para outra postagem. Por hora, me cabe desejar

FELIZ ASSEMBLÉIA! FELIZ NATAL!

Um comentário:

Paulo Goulart disse...

Não é sutil a preocupação do Darth Vader. Atrevo-me a questionar a preocupação maior, pois perguntar não ofende:

Seria continuidade?
Seria Amor?
Ou Seria uma garantia de que nenhum esqueleto será tirado do amário?

dúvida cruel...mas, como diria o macaco, não precisa explicar, eu só queria entender...